terça-feira, 19 de setembro de 2017

RIO DE JANEIRO ABRIL DE 2017

Uma visita para reviver sonhos vividos e idos. Depois das estátuas de Noel em Vila Isabel, Caymmi em Copacabana, Tom Jobim em Ipanema, passeios por Santa Tereza como meu último pouso na Cidade Maravilhosa. Visitar Rio de Janeiro é sonhar acordado.Bar da Lapa, Alto da Boa Vista, Otto Lara Resende,Carlos Drumod de Andrade e a minha última residência em Santa Tereza. Aí estão - minha esposa querida - Eva e minha filha Yolanda com meu genro Leo, queridos e amados. Pra não esquecer.






RIO DE JANEIRO 2017 - UMA SAUDADE





segunda-feira, 4 de setembro de 2017

TANQUE VELHO



Tanque Velho da minha mocidade, dos meus brinquedos de criança, das minhas travessias aprendendo a nadar; dos peixes pescados para o almoço, secados ao sol, dependurados nas cordas, entremeados com as carnes bovinas que após secarem seriam armazenadas em barris de farinha de mandioca, para o feijão cozido de amanhã, degustado ao pé do fogão de lenha, sentado no cepo ao lado de minha avozinha que viveu 104 anos praticando o bem e abrigando os desvalidos, distribuindo terras com os trabalhadores com o pioneirismo de quem faz a reforma agrária que os governos negam, procrastinam e enganam. Tanque de águas profundas ladeando a Fazenda do mesmo nome, no agreste do Quaresma por onde aflora o mandacaru, a escassa mandioca e o raro feijão, embora próspero para o fumo do charuto, do cigarro de palha e do cachimbo. Por ai andei de “badogue” em punho na caça dos passarinhos que a infância não distingue, por desconhecer o compromisso com a fauna. Tanque Velho de Guilherme e Ildefonsa, primos que se casaram para a formação de uma família que se respeita de onde saíram Manoel e Dande, prósperos e simples cidadãos honestos, prenhe de conhecimento, autodidatas que o tempo levou sem piedade antes da hora. Poderia ter sido o bebedouro particular do minifúndio, mas não foi, porque se permitiu a todos a divisão de suas águas para matar a sede dos animais da redondeza, numa repartição pregada por aquele que o homem mau em sua ambição e inveja crucificou. Ainda me lembro do “FIFÓ” e do candeeiro, reclamados por Badinho que não dormia se não estivessem acesos. Lembro-me do cerco de quarana, único lugar para as necessidades fisiológicas, cujas folhas substituíam o “Tico-Tico” e o suave “Neve”. Lembro-me da folha de juá que meu avô usava para escovar os dentes brancos que nunca foram examinados por dentistas, pela forma sadia que se encontravam.
Por ali passaram “Mitoi” o comilão, “Agrário” o peão das cantigas e da peleja de Cego Aderaldo e Zé Pretinho, que sabia de co. Tanque Velho sempre novo para as novas gerações, que não secou como não secam os olhos meus pelas lembranças de um tempo quando o homem ainda era puro e os casais se amavam, homem e mulher, porque se fez o mundo para a perpetuação da espécie. Do corredor com destino ao “Calço” e à casa de “Martide”, da casa de farinha e do beiju quentinho da mandioca ralada pelo cilindro circulando pela força do braço do homem impulsionando a Roldana; do bolo de puba da casa de Silvia casada com o vaqueiro Roque que meu avô abrigou, dando-lhes casa e terras para os seus sustentos. Tanque que se fez tanque pela mão do homem e que lhe retribuiu com a água para se lavar e para se beber. Por ali pousavam os marrecos e os “Espantas Boiadas”, depois de revoadas e cantos de acordar e fazer alegre o povo humilde. Se não fosses tu, com tuas águas calmas, eu não teria aprendido a nadar, inicialmente o nado de boi e depois o de braçada, que me deu condição para alcançar o mar. No cavalo em pelo, sem sela, apostei corridas, ganhando e perdendo algumas, que não tinha importância, porque o que valia era o prazer de sentir na velocidade o vento passando no meu rosto de menino levado pelo prazer de viver a vida sem as complicações da cidade grande, das ambições desmedidas e das disputas desleais a que o adulto se sujeita. Eu era feliz, chupando o azedo umbu, a jabuticaba e a cajá que colhia nas terras não muito férteis, mas satisfatórias da ultima gleba plantada no sertão dos meus antepassados, que não souberam administrar as sesmarias que o império os legou.
  
Feira de Santana,


Em um dia de saudade, do ano de 2011.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

POEMAS DE J G DE ARAUJO JORGE

Talvez seja o tempo...a vida...a idade...
mas a gente vai aprendendo a renunciar
a tanto que se quis...

A verdade
é que me acomodei de tal modo na minha infelicidade,
que quase que sou feliz...
J. G. de Araújo Jorge


Aí está um dos maiores poetas e sonetístas da língua portuguesa, que conheci. Professor do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

POEMAS DE VICENTE DE CARVALHO

A Flor e a Fonte

Vicente de Carvalho



"Deixa-me, fonte!" Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Cantava, levando a flor.
"Deixa-me, deixa-me, fonte!
" Dizia a flor a chorar:
"Eu fui nascida no monte...
"Não me leves para o mar".
E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.
"Ai, balanços do meu galho,
"Balanços do berço meu;
"Ai, claras gotas de orvalho
"Caídas do azul do céu!...
Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror,
E a fonte, sonora e fria
Rolava levando a flor.
"Adeus, sombra das ramadas,
"Cantigas do rouxinol;
"Ai, festa das madrugadas,
"Doçuras do pôr do sol;
"Carícia das brisas leves
"Que abrem rasgões de luar...
"Fonte, fonte, não me leves,
"Não me leves para o mar!...
" As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor...
vivente de carvalho

segunda-feira, 17 de julho de 2017

COMENTÁRIOS E CRÍTICAS AO JULGAMENTO DE LULA

UMA VISÃO JURÍDICA ABALIZADA - PASSO À PASSO.

professor da FGV Direito Rio Thiago Bottino destaca que o juiz "não poderia fazer considerações que não fossem estritamente jurídicas". Salah H. Khaled Jr., professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), ressalta que a sentença "soa como mera conjectura", e que "uma condenação não admite ilações". O professor de Direito Penal e Processual Penal, Fernando Hideo Lacerda, acrescenta que "não há prova para condenação pelo crime de corrupção e não há sequer embasamento jurídico para condenação pelo crime de lavagem de dinheiro".

"Se a dúvida permanece, a presunção de inocência do acusado deve prevalecer"
O professor Salah acrescenta que a "sentença não trouxe novidades". "Era previsível que Moro condenaria Lula, mas tudo ainda soa como mera conjectura. Uma condenação não admite ilações. O lastro probatório da narrativa condenatória não deve deixar margem para dúvida. Se a dúvida permanece, a presunção de inocência do acusado deve prevalecer. Penso que não há elementos suficientes para a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo em questão." 

Sobre a consideração da palavra de delatores, Salah questiona: "Por que confiar na palavra de um delator? Ele é obrigado a dizer o que os negociadores querem ouvir. Se nada tem a dizer, obviamente não tem com o que negociar e, logo, é preciso inventar."
(continua na próxima semana).

sexta-feira, 7 de julho de 2017

O SORRISO DE VOLTAIRE

Em 2008, Fernando Eichenberg, escreveu para a Revista "Aventuras Na HISTÓRIA, Edição 55, uma matéria, cujo título se encontra acima, discorrendo sobre um dos maiores filósofos da humanidade, com o qual muito aprendi, merecendo uma reprodução de alguns destaques.

"Inimigo mortal da intolerância, o irreverente filósofo francês ressurge numa biografia que mostra como ele foi capaz de usar a opinião pública contra as injustiças da velha França.
Vitor Hugo, o consagrado escritor da obra prima "OS MISERÁVEIS", na comemoração do centenário de morte do filósofo, em 1878, declarou, diante da plateia reunida no Théâtre de La Gaîté, em Paris: "Hoje, há 100 anos, um homem morria. Ele morria imortal". considerado pai-fundador da Revolução Francesa, apóstolo da tolerância, crítico do fanatismo religioso e defensor dos oprimidos." Voltaire ao nascer, teve a vida por ameaçada pela fragilidade física, dando-lhe, os médicos, uma semana de vida, mas, a sua luta teria que lhe conceder longo tempo, o suficiente para legar à humanidade sapiência para os que seguiram os seus ensinamentos e exemplo para toda a humanidade, de como se deve pensar e agir diante de uma sociedade, muitas vezes, surda e idiotizada. Voltaire, iniciou sua vida literária, como poeta, mas, alguns versos satíricos, rendeu-lhe 11 meses de prisão na Bastilha. Após a sua libertação, obteve o perdão real e foi recebido por Philippe d'Orleans, regente, responsável pela sua detenção. Como prova de sinceridade, o nobre lhe propôs o pagamento de uma pensão alimentr. Na resposta, a lingua ferina de Voltaire não se conteve: "Eu agradeço Vossa Alteza por querer encarregar de minha alimentação, mas eu vos suplico de não se encarregar mais de minha moradia". Essa atitude irreverente acompanharia o filósofo em todos os seus embates - fossem eles pessoais ou universais".
"Escritor brilhante, Voltaire nasceu quase morto, mas morreu como imortal".

É o que ocorre com os que pensam, buscam a sapiência e legam o exemplo da dignidade de viver sem mácula e sem remorso, porque deu a sua contribuição pra melhorar a espécie humana.
Este é o papel do filósofo: estar a serviço da razão, da verdade e dos direitos humanos.

Em 07 de julho de 2017.

Milton Britto.