terça-feira, 5 de maio de 2020

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

UMA CRÔNICA PARA SARITA


                                                  




Conheci Osvaldo que me apresentou a Mimi que me contratou para cantar no Michel onde conheci Ivone que conhecia Cunha que conhecia Haroldo Eiras que me apresentou a Sarita que me levou para a TV Continental onde conheci Humberto Garin que me apresentou a Rildo Hora que me apresentou a Américo que me levou para a Gravadora Pawal que me levou para Columbia onde fiz um teste e conheci o Maestro Nelsinho que me levou para a RCA Victor onde gravei meu primeiro disco.
  Nesta relação de amizade, ficou como uma árvore frutífera a amizade fraterna e profissional com Sarita Campos, mulher de uma tenacidade invejável, pioneira na apresentação em TV, considerando que era esposa de Dermival Costa Lima, pioneiro na Instalação do Canal de Televisão trazida por Assis Chateaubriand para o Brasil, a primeira na América do Sul, pertencente aos Diários Associados, cassado e liquidado pela ditadura de 64 para privilegiar os Grupos estrangeiros de comunicação (leia-se Time/Life).
     Sarita, quando a conheci, em 1962 morava em Copacabana, na Rua Barata Ribeiro, em um confortável apartamento, com duas filhas - Iara Franco e Saritinha, (embora alguns biógrafos digam que só tinha uma filha) que foram minhas alunas de violão.
Sarita comandava dois Programas na TV Continental – “De Braços Abertos” e “Clube das Garotas”; Um Programa de Conselho Sentimental na Rádio Eldorado e um Programa Musical na Rádio Globo, intercalando entrevistas e apresentações ao vivo com Cantores e profissionais de diversas áreas da nossa cultura e atividade social. Lembro de entrevista com o médico pediatra Reinaldo Delamare, o Bispo Dom Helder Câmara, Edna Savaget, Hebe Camargo que as vezes a substituía na apresentação do Programa quando viajava para São Paulo, e muitos outros.

    Era uma mulher amável, solidária e filantropa com campanhas de arrecadação e distribuição de bens para famílias e pessoas carentes, dando sustentação a muitas Instituições filantrópicas.

   Desfilaram em seus Programas – Cauby Peixoto, Agnaldo Timóteo (em início de  carreira), Nelson Ned (idem), Joelma, Carlos Alberto, Silvinho, Rosita Gonzales, Sergio Murilo, Agnaldo Rayol e muitos outros famosos e em início de carreira, que ela apoiava e divulgava de forma amistosa e graciosa.
Sarita me manteve nos seus Programas durante três anos, até quando foi contratada pela Rede Globo em 01 maio de 1965, permanecendo até 25 de dezembro de 1965, com programação aos sábados no horário das 14h30 e depois às 14h00, quando mudaram a programação, indo para o seu lugar um Programa de Rock In Roll.
                    
   Em 1966 perdi por completo o contato com Sarita.

   Envolvido com a vida noturna da Zona Sul, do Rio de Janeiro, cantando para sobrevier e ainda com esperança de fazer algum sucesso, busquei novos contatos e Sarita ficou sem Programa na TV, em conseqüência da manipulação da Rede Globo que tirou o Programa da TV Continental com um convite ardiloso e depois fechou a programação. Com a TV em baixa, perseguida pela ditadura implantada em 1964, com o processo de aculturação do país, Sarita desapareceu da mídia carioca, indo para a Cidade de São Paulo. Deixei a música por completo como profissional em 1968.
Em 1969 voltei para a Bahia e no ano seguinte retorno ao Rio de Janeiro. Em 1972 vou para Belo Horizonte. De volta à Bahia em 1977.

   1980, advogado, filósofo, escritor, inicio a publicação de livros e começo a minha biografia, buscando entre tantas pessoas que estiveram em minha vida, aquela que foi de muita importância na minha carreira artística – Sarita Campos, tendo notícia em 1990 que a Dama da Televisão e do Rádio havia falecido na cidade de São Paulo, sem glória, no ostracismo, como tantos que muito fizeram pela cultura de nosso país e morreram com a ingratidão de um povo inculto e aculturado.

   Sarita Campos, cujo nome verdadeiro era – Albertina de Grammont Costa Lima, nascida em 25/07/1912, na cidade do Rio de Janeiro, uma mulher que dignificou a Comunicação com sapiência e humildade.

Feira de Santana, 28 de dezembro de 2018.   

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

ANTÔNIO GUEDES DE BRITO




Antonio Guedes de Brito, mestre de campo, governador interino da Bahia, como juiz ordinário mais velho da junta governativa, provedor da Santa Casa de Misericórdia em 1663, cavaleiro professo da Ordem de Cristo, abastadíssimo fazendeiro, um dos homens de projeção da Bahia seiscentista, tanto pela sua riqueza como pela sua influência, depois de Garcia de Ávilla, foi o “maior proprietário de terras, a principiar das nascenças do rio Real, Inhambupe, em demanda do sul pelo S. Francisco acima tantas léguas quantas ditassem daquelas cabeceiras ao Paraguaçu”.
O jesuita Antonil, em 1711, pormenoriza: “Sendo o sertão da Bahia tão dilatado como temos referido, quase todo pertence a duas das principais famílias da mesma cidade, que são a da Torre, e a do defunto mestre de campo Antonio Guedes de Brito. Porque a casa da Torre tem duzentas e sessenta léguas pelo rio S. Francisco acima, à mão direita, indo para o Sul; e indo do dito rio para o norte, chega a oitenta léguas. E os herdeiros do mestre de campo Antonio Guedes possuem, desde o Morro dos Chapéus até a nascença do rio das Velhas, cento e sessenta léguas. E nessas terras, parte dos donos delas tem currais próprios; e parte são dos que arrendaram sítio delas, pagando por cada sítio, que ordinariamente é de uma légua, cada ano dez mil réis de foro”. Essas terras dilatadas pelos sertões, entre a Bahia e as Minas, valiam um Império.
Antonio Guedes de Brito para tomar posse efetiva de seus vastos domínios, estabeleceu-se numa fazenda em Morro do Chapéu, às margens do rio Jacuipe. Acompanhado de numerosos capangas, saiu pelo sertão combatendo e expulsando os grileiros e índios que infestavam seu território. E foi nesta campanha que subitamente faleceu, sendo enterrado na igreja do Colégio dos Jesuítas na Catedral da Sé da Bahia.
Antonio Guedes de Brito teve uma filha com sua concubina d. Serafina de Sousa a qual deu o nome de Isabel Maria Guedes de Brito. Sendo filha única, d. Isabel herdou todos os bens de Antonio Guedes de Brito. Era tetraneta de Diogo Álvares Correia, o Caramuru. Casou-se com o coronel Antonio da Silva Pimentel, o construtor do Solar do Saldanha, a mais luxuosa residência existente em Salvador à época. O coronel Antonio da Silva Pimentel por mais de 16 anos esteve à frente da alcaidaria da cidade, naquele tempo um dos principais cargos do governo. Exerceu a provedoria da Santa Casa da Misericórdia e foi benfeitor da Igreja do Colégio da Bahia, depois Catedral Primaz do Brasil, - começada em 1657 e terminada em 1672.
Da união de d. Isabel Maria Guedes de Brito e do coronel Antonio da Silva Pimentel, nasceu d. Joana da Silva Caldeira Pimentel Guedes de Brito, que herdou a maior parte dos bens do avô materno e o solar da família tornando-se “a mais opulenta senhora de toda colônia”, tisnada de cristã nova nas denúncias do Santo Ofício. Ninguém teve na colônia palácio mais aparatoso do que d. Joana: a sua mansão de altos pórticos da rua do Saldanha em Salvador. Os seus progenitores possuíam o que havia “de melhor em prataria lavrada, em baixelas de ouro, em candelabros de bronze, em peças de crisólitos da Boêmia”.
D. Joana em 1717, casou-se em primeiras núpcias, com d. João de Mascarenhas, nascido depois de 1680, segundo filho do I Conde de Coculim, d. Francisco de Mascarenhas. D. João foi porcionista do Colégio Real de S. Paulo, em Coimbra, no ano de 1697; desembargador do Porto e da Relação de Lisboa, cavaleiro da Ordem de Cristo, tesoureiro-mor da Sé do Algarve e deputado da Mesa da Consciência e Ordens, no ano de 1722, falecido a 25 de junho de 1729, em Lisboa, sem geração.
D. João era mau caráter, acobertando criminosos e malfeitores em seu engenho da Mata, e impedindo sua sogra Isabel Maria Guedes de Brito de gerir seus bens. O vice-rei da Bahia, D. Vasco César de Meneses não perdoava o comportamento descomedido do excêntrico fidalgo, ponto negativo de sua administração, no setor da ordem pública.
A experiência desagradável do primeiro casamento não desanimou d. Joana da Silva Guedes de Brito da ilusão de contrair novas núpcias. Relativamente moça, opulenta e garbosa, deu-lhe na cabeça que deveria procurar novo marido e resolveu comprá-lo, com o seu ouro.
D. Manuel de Saldanha da Gama, nascido a 21 de fevereiro de 1715, quinto filho de d. João de Saldanha da Gama, vice-rei da Índia em 1715, foi o favorito. Mais novo 18 ou 19 anos que d. Joana, nascido apenas dois anos antes da data do primeiro matrimônio, quando esta – teria já rodado sensivelmente o dobro da sua idade.
O contrato de casamento, lavrado em Lisboa, a 19 de abril de 1734, em nota do tabelião Antonio da Silva Freire, contou com a presença do capitão José de Oliveira Filho, que assinou a escritura “em nome e como procurador” de d. Joana, e de d. João de Saldanha da Gama, pai de d. Manuel de Saldanha.
A 18 de setembro do mesmo ano, foi ratificado, na Bahia, em nota do tabelião Pedro Ferreira de Lemos, ante os noivos, que se “achavam contratados para casarem na forma do Sagrado Concílio Tridentino”.
D. Manuel de Saldanha da Gama, moço fidalgo, membro do Conselho Ultramarino, a 2 de maio de 1757, foi indicado pelo vice-rei Conde dos Arcos a Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal, para ocupar o posto de coronel comandante de um dos regimentos de infantaria desta Cidade, vago com o falecimento de Manuel Domingos de Portugal. Sobre sua personalidade e o seu procedimento, assim se expressa seu filho, o VI Conde da Ponte: “este cavaleiro, além de ser de costumes muito bem regulados, é de um tão louvável procedimento, que justíssimamente o tem feito credor da distinta atenção, que lhe rendem todos esses habitantes, nem tem, nem nunca teve destas partes, emprego algum no serviço de S.M.(Sua Majestade)”
D. Joana faleceu a 24 de outubro de 1762, sem que houvesse filhos. D. Manuel, fiel às cláusulas que instituiu o Morgado, acrescentou o sobrenome da falecida mulher e entrou na posse dos bens. D. Manuel de Saldanha da Gama Guedes de Brito Melo e Torres, eis como passou a ser chamado. Em 1776 regressou a Portugal, levando consigo recordações da famosa matrona que se trajava majestosamente na mansão junto à Sé. Tornou-se senhor de grande fortuna – em parte proveniente dos bens doados a d. Joana, em parte acumulados durante a sua estada de não menos de trinta anos no Brasil.D. Manuel casou-se em segundas núpcias dentro em sua linhagem, com d. Francisca Joana Josefa da Câmara, nascida a 27 de dezembro de 1740, viúva do célebre Luís José Correa de Sá Velasco e Benevides, capitão-general de Pernambuco e filha de Lourenço Gonçalves da Câmara Coutinho, quinto almotácer-mor do Reino e de sua mulher e prima, d. Leonor Josefa Távora, Dama do Paço. Faleceu no ano de 1778, em Portugal, “rico e honrado, com cargos importantes e respeitáveis que desempenhara na Cidade do Salvador”.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

POLÍTICA - CHICO PINTO



Francisco José Pinto dos Santos
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Francisco José Pinto dos Santos (Feira de Santana, 16 de abril de 1930Salvador, 19 de fevereiro de 2008) foi um advogado e político brasileiro que exerceu quatro mandatos de deputado federal pela Bahia e se destacou como integrante do “grupo autêntico” do Movimento Democrático Brasileiro que pregava uma oposição mais contundente ao Regime Militar de 1964 em contraposição à postura comedida do “grupo moderado”. Era conhecido também pelo epíteto de Chico Pinto.
[editar] Biografia
Filho de José Pinto dos Santos e Inácia Pinto dos Santos, ingressou no PSD e nele permaneceu até a chegada do bipartidarismo por força do Ato Institucional Número Dois outorgado pelos militares em 1965. Nesse interregno foi eleito vereador de Feira de Santana em 1950 e em 1954 graduou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia atuando como advogado.
Eleito prefeito do município em 1962 teve o mandato cassado e assim fez opção pela oposição após a queda de João Goulart em 31 de março de 1964 e nessa condição fundou a seção baiana do MDB em 1966. Eleito deputado federal em 1970, logo divergiu da orientação moderada existente no partido e foi um dos fundadores do “grupo autêntico” do MDB cuja postura sinalizava uma ação mais contundente em relação ao poder militar. No episódio que culminou com a “anticandidatura” de Ulisses Guimarães à Presidência da República em 1974 defendeu a tese de que o partido necessitava denunciar a situação política do país, entretanto compartilhava de uma visão segundo a qual concorrer com o General Ernesto Geisel no Colégio Eleitoral seria legitimar os esbirros do regime de exceção, razão pela qual defendia a renúncia de Ulysses momentos antes da sessão, mas como o MDB se recusou a assim proceder foi um dos vinte e três parlamentares oposicionistas a se absterem da votação.
O ano de 1974 foi marcado por um acontecimento ímpar em sua biografia, pois na véspera da posse de Ernesto Geisel em 15 de março, Chico Pinto concedeu uma entrevista à Rádio Cultura de Feira de Santana na qual denunciou a ditadura chilena de Augusto Pinochet numa manifestação considerada ofensiva pelas autoridades brasileiras. De imediato o Departamento Nacional de Telecomunicações (DENTEL) determinou o fechamento da emissora (que seria reaberta em 26 de julho de 1985) e o governo abriu um processo que resultou em seis meses de reclusão em julgamento realizado pelo Supremo Tribunal Federal em 10 de outubro de 1974. Após cumprir a pena no 1º BPM de Brasília foi submetido a oito processos e também a Inquéritos Policiais Militares atuando em causa própria.
Reeleito deputado federal em 1978 foi um dos fundadores do PMDB sendo elevado ao posto de Secretário-geral do diretório nacional da agremiação. Conquistou novos mandatos de deputado federal em 1982 e 1986. Faleceu na capital baiana vítima de câncer.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

PARODIANDO GIBRAN




Minhas filhas são minhas filhas,
Vindas de mim, das minhas entranhas,
Fruto do meu fruto, de uma árvore milenar,
Que conheço por ouvir dizer
Porque o tempo não nos permite caminhar
Na sua estrada.

Nascidas, crescidas e vivenciadas,
Firmam-se compassadamente.
Engatinham, andam, correm e pensam
Por nós e além de nós,
Ora encontradas, ora desencontradas,
Firmam-se em suas próprias idéias
Herdadas ou deserdadas.

Eu sou o arco e elas as flechas
Arremessadas, que atingirão alvos diferentes,
Porque seguem rumo diverso,
Cada uma numa direção,
Sabendo o ponto de partida
Sem avistar a chegada.
Vindas do ontem
Residem no hoje
Na casa do amanhã
Abrigo de sonhos
Coloridos que o presente
Muitas vezes pinta
Com a tinta do passado
Já esquecido. 


Feira, 2014.