segunda-feira, 2 de setembro de 2019

POLÍTICA - CHICO PINTO



Francisco José Pinto dos Santos
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Francisco José Pinto dos Santos (Feira de Santana, 16 de abril de 1930Salvador, 19 de fevereiro de 2008) foi um advogado e político brasileiro que exerceu quatro mandatos de deputado federal pela Bahia e se destacou como integrante do “grupo autêntico” do Movimento Democrático Brasileiro que pregava uma oposição mais contundente ao Regime Militar de 1964 em contraposição à postura comedida do “grupo moderado”. Era conhecido também pelo epíteto de Chico Pinto.
[editar] Biografia
Filho de José Pinto dos Santos e Inácia Pinto dos Santos, ingressou no PSD e nele permaneceu até a chegada do bipartidarismo por força do Ato Institucional Número Dois outorgado pelos militares em 1965. Nesse interregno foi eleito vereador de Feira de Santana em 1950 e em 1954 graduou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia atuando como advogado.
Eleito prefeito do município em 1962 teve o mandato cassado e assim fez opção pela oposição após a queda de João Goulart em 31 de março de 1964 e nessa condição fundou a seção baiana do MDB em 1966. Eleito deputado federal em 1970, logo divergiu da orientação moderada existente no partido e foi um dos fundadores do “grupo autêntico” do MDB cuja postura sinalizava uma ação mais contundente em relação ao poder militar. No episódio que culminou com a “anticandidatura” de Ulisses Guimarães à Presidência da República em 1974 defendeu a tese de que o partido necessitava denunciar a situação política do país, entretanto compartilhava de uma visão segundo a qual concorrer com o General Ernesto Geisel no Colégio Eleitoral seria legitimar os esbirros do regime de exceção, razão pela qual defendia a renúncia de Ulysses momentos antes da sessão, mas como o MDB se recusou a assim proceder foi um dos vinte e três parlamentares oposicionistas a se absterem da votação.
O ano de 1974 foi marcado por um acontecimento ímpar em sua biografia, pois na véspera da posse de Ernesto Geisel em 15 de março, Chico Pinto concedeu uma entrevista à Rádio Cultura de Feira de Santana na qual denunciou a ditadura chilena de Augusto Pinochet numa manifestação considerada ofensiva pelas autoridades brasileiras. De imediato o Departamento Nacional de Telecomunicações (DENTEL) determinou o fechamento da emissora (que seria reaberta em 26 de julho de 1985) e o governo abriu um processo que resultou em seis meses de reclusão em julgamento realizado pelo Supremo Tribunal Federal em 10 de outubro de 1974. Após cumprir a pena no 1º BPM de Brasília foi submetido a oito processos e também a Inquéritos Policiais Militares atuando em causa própria.
Reeleito deputado federal em 1978 foi um dos fundadores do PMDB sendo elevado ao posto de Secretário-geral do diretório nacional da agremiação. Conquistou novos mandatos de deputado federal em 1982 e 1986. Faleceu na capital baiana vítima de câncer.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

PARODIANDO GIBRAN




Minhas filhas são minhas filhas,
Vindas de mim, das minhas entranhas,
Fruto do meu fruto, de uma árvore milenar,
Que conheço por ouvir dizer
Porque o tempo não nos permite caminhar
Na sua estrada.

Nascidas, crescidas e vivenciadas,
Firmam-se compassadamente.
Engatinham, andam, correm e pensam
Por nós e além de nós,
Ora encontradas, ora desencontradas,
Firmam-se em suas próprias idéias
Herdadas ou deserdadas.

Eu sou o arco e elas as flechas
Arremessadas, que atingirão alvos diferentes,
Porque seguem rumo diverso,
Cada uma numa direção,
Sabendo o ponto de partida
Sem avistar a chegada.
Vindas do ontem
Residem no hoje
Na casa do amanhã
Abrigo de sonhos
Coloridos que o presente
Muitas vezes pinta
Com a tinta do passado
Já esquecido. 


Feira, 2014.


POEMA Nº 26





Eu prefiro um mundo
Sem deuses e sem mitos,
Sem crenças absurdas,
Sem idolatria;
Um mundo mais humano,
Mais inteligente, mais inteligível,
E que a crença cresça
No homem pelo homem
E cresça e desenvolva
Sem espaço vazio,
Sem imaginação caótica.
Eu prefiro um mundo
Sem deuses e sem mitos.
Que se desperte para a cosmologia
E a ciência seja o infinito
Dos mais cultos (já que não pode ser de todos).
Que seja menos fria
A mente do covarde,
E não se proponha deuses assassinos
E não se pinte belezas inexistentes.
Que se dissolva a ordem dos incultos
E criem-se soluções
Para as nossas realidades.
Eu prefiro um mundo
Sem deuses e sem mitos,
Sem perspectiva bíblica,
Sem opinião mentida,
Sem suposição,
Com base científica e mente filosófica,
Sem fome e sem demência,
Mas com solução.
Que as palavras
Ganhem os seus sentidos verdadeiros,
Plenos para a vida e para o homem.
Eu prefiro um mundo
Sem deuses e sem mitos
Mais humanizado.


(Poema publicado na Revista das Academias de Letras da Bahia), em 1998.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

CANDIDE



     Na madrugada do dia 10 de junho de 2009, não sei explicar o porquê, acordei com o pensamento em Voltaire, precisamente - François Marie Arouet Lê Jeune du Voltaire, um dos maiores filósofos que a humanidade gerou e então me lembrei de sua obra de cunho social – Candide o Optimisme, que traduzida para o português se fez “Candido ou o Otimismo”, quando ele retrata o seu personagem como um homem que deve ser antes de tudo um otimista apesar de tantas tragédias vividas como a que depois de tantos infortúnios, indo para Portugal chegou a tempo de assistir ao terremoto de 1755 que destruiu uma cidade. Aí me lembrei das minhas andanças. – No início de 1958, após ser submetido aos exames necessários fui admitido na Aeronáutica como recruta e depois S2. Ainda com o tino de quem gosta de estudar formei um grupo e passamos a nos ensinar uns aos outros do que sabíamos em matéria de conhecimento humano visando os cursos de Sargento e de Oficial da Força Aérea Brasileira. Surgiu a primeira oportunidade e nos submetemos aos exames para o curso de Enfermagem que nos daria a promoção de S2 para Cabo. Fomos aprovados e quando estávamos para concluir, eis que explode um “paiol” de munições no bairro distante de Marechal Deodoro, no Rio de Janeiro, vislumbrando um movimento militar que culminaria, poucos anos depois, no golpe militar de 1964. Foi o suficiente para suspenderem o curso e retornarmos de Recife para Salvador. Na Base Aérea, não muito satisfeito, com a frustração, mas consolado e ainda esperançoso, acontece outro infortúnio e por uma discussão envolvendo regras do regimento militar, um oficial despreparado me deu ordem de prisão e fui recolhido ao “Xadrez” por oito dias e aí a viola cantou com os companheiros de farda que dividiam a cela. Depois, por revidar uma atitude torpe de um colega, apliquei-lhe alguns golpes de Capoeira e Jiu Jitsu, sendo novamente recolhido por mais quinze dias, liberado antes do prazo por ordem do Tenente Coronel Comandante da Base. Desestimulado, sentindo o futuro incerto pedi baixa, desistindo da carreira militar e do sonho de ser Aviador, decorridos quase dois anos de caserna. Possuidor de uma voz privilegiada como cantor, tomei a decisão de ir para o Rio de Janeiro. 20 dias após, consegui um contrato em uma Boate na Zona Sul, em Copacabana. Dois anos se passaram e lá eu estava me apresentando em uma das melhores casas noturnas – Bar e Boate Michel e no Restaurante francês Lê Rond Point. O Michel era freqüentado por João Goulart, Doutel de Andrade e muitos membros do governo federal progressista, o que foi suficiente para logo após o golpe militar ser fechado, depedrado, destruídos os aquários iluminados que ornavam as paredes. Não pouparam nem mesmo os peixes. Fui convidado para cantar no Restaurante CABANA, na Praça N.S. da Paz, em Ipanema, sendo recepcionado com uma “Paella a Valenciana” de dar água na boca, regada com excelente uísque, onde pude perceber durante algum tempo a presença de Maria Betânia que chegava à Cidade Maravilhosa e ficava a me ouvir. Conheci Mario Prioli que explorava um Boliche e reunia os componentes do Grupo MPB-4, Chico Buarque de Holanda e outros amigos. Pouco tempo depois Mario fundou o Canecão - a mais importante casa de Show do Rio de Janeiro. Tivemos muitas andanças. Não demorou e uma das sócias do Restaurante foi atropelada na calçada de Ipanema. Coincidentemente esta senhora namorava Antonio Buono, jornalista que foi Diretor do jornal “A Noite” localizado no Prédio da Radio Nacional, (fechado pela ditadura), homem de idéias socialistas e que fora atropelado anos atrás. Em recessão a casa noturna encerrou as suas atividades. Fiquei desempregado. Desestimulado resolvi atrelar-me a um grupo religioso na Paróquia da Glória no Largo do Machado, passando a dar aulas de Filosofia e Francês, abrindo um Curso de Madureza e Taquigrafia na Rua do Catete. Rodávamos num mimeografo à tinta, matérias de cunho social, combatendo os vendilhões da pátria e fomos perseguidos pelo Dops e pelo SNI. Foram quase todos levados para o Campo do Botafogo em General Severiano, escapando eu e o amigo Amaral. Tivemos que nos refugiar por algum tempo em lugares não conhecidos. Em 1973 fui para Belo Horizonte, aprovado em vestibular para o curso de Direito, tornei-me Advogado e voltei para a Bahia. Nomeado Procurador Jurídico em 1981. Por não aderir ao grupo de direita, em 1983, fui exonerado. Não tenho razões para ser otimista, mas não desisto, vou em frente, com todas as forças que me restam e não me deixo vencer. Vou em frente, nada deve me deter. Sou um vencedor apesar das intempéries e das adversidades.

    Meu abrigo: a minha consciência. Minha força: a vontade de vencer. Desistir – nunca. Caminhar – sempre. Meu ponto de chegada: a eternidade através da palavra e do pensamento.
Feira, 10.07.2009.



domingo, 9 de junho de 2019

GETÚLIO VARGAS E O SÉCULO XX



2º Capítulo

Na verdade a liderança foi do Gal Tasso Fragoso, com o apoio da maioria da Força Militar, que se opunha a permanência de Washington Luis, que tentou impor o resultado que lhe favorecia, embora fraudulento, segundo se afirmava, chegando a convocar reservistas para resistir à revolução, sendo preso e conduzido para o Forte de Copacabana, até ir para o exílio na França.
Daí o Gal. Telegrafou para Getúlio comunicando que todos o esperava para assumir a chefia do Governo.
Até a data de 20 de julho de 1934, Getúlio assumiu o Governo com a Junta Governativa, composta pelos seguintes membros: Gal. Tasso Fragoso; Gal. Mena Barreto; Contra-Almirante Isaias de Noronha. Nesta data, através de eleição indireta foi Getúlio eleito Presidente Constitucional, com mandato até 10 de novembro de 1937 e a partir desta data até 29 de outubro de 1945, constituiu-se o governo denominado Estado Novo.
Em 1932, São Paulo, ainda insatisfeito com os rumos da política, opondo-se a Getúlio, tenta uma Revolução que denomina “Constitucionalista”, sob a liderança do Gal. Euclides Figueiredo (pai do futuro Gal. João Batista de Figueiredo), sendo sufocada e derrotada, embora tenha recebido o apoio de Minas Gerais, sob a liderança do ex-presidente Artur Bernardes.
Na eleição de 1934, Getúlio teve como concorrentes nove candidatos e o único que se aproximou dos votos por ele recebidos, foi Borges de Medeiros com 59 votos contra 175 recebidos por Getúlio. Os demais não receberam mais de 5 votos.
Dentre as situações adversas, Getúlio enfrentou dois grupos políticos de destaque e importância histórica, que foram – os Integralistas comandados por Plínio Salgado – adepto do nazismo e do fascismo; e a Aliança Nacional Libertadora, adeptos do socialismo e do comunismo, tendo como líder Luis Carlos Prestes.
Em 25 de março de 1935, em carta dirigida ao Embaixador do Brasil em Washington, Oswaldo Aranha, comunica que resolveu fechar a ANL, embora esta tivesse uma grande simpatia de boa parte dos militares, até porque Prestes fazia parte de um grupo denominado Tenentistas.
A Ação Integralista continuava a existir, acredita-se, pela força que representava O Nazismo e o Fascismo, no mundo à época, em virtude dos seus avanços na 2ª Guerra Mundial.
Fato curioso ocorreu em 1937 com a presença do Capitão Olímpio Mourão Filho (aquele que em 64 comandou as tropas de Minas Gerais para o Golpe que derrubou Jango e implantou a ditadura no Brasil em nome dos EUA, por 20 anos), à época membro dos Integralistas, que forjou um atentado “comunista”, com o pretexto de “combate aos vermelhos”

26/12/2017.

Continua no próximo capítulo.