terça-feira, 20 de setembro de 2011

LANÇAMENTOS


DIA 29.09.2011 ESTAREMOS LANÇANDO O MAIS NOVO LIVRO DE CRONICAS intitulado "CRONICIDADE" e um CD DE MUSICAS COM 18 BOLEROS - "BESAME MUCHO", no PARQUE DO SABER, em Feira de Santana-Bahia, no horário das 20h00, com participação musical, coquitel e um bom papo com os amigos e amantes da literatura e da boa musica. Prontos para 2012 uma Coletânia com 04 livros e 11 CDs de musica, incluindo um CD de poesias - "VERSEJAR", declamadas com fundo musical. Estão todos convidados.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

TANQUE VELHO

. Tanque Velho da minha mocidade, dos meus brinquedos de criança, das minhas travessias aprendendo a nadar; dos peixes pescados para o almoço, secados ao sol, dependurados nas cordas, entremeados com as carnes bovinas que após secarem seriam armazenadas em barris de farinha de mandioca, para o feijão cozido de amanhã, degustado ao pé do fogão de lenha sentado no cepo ao lado de minha avozinha que viveu 104 anos praticando o bem e abrigando os desvalidos, distribuindo terras com os trabalhadores com o pioneirismo de quem faz a reforma agrária que os governos negam, procrastinam e enganam. Tanque de águas profundas ladeando a Fazenda do mesmo nome, no agreste do Quaresma por onde aflora o mandacaru, a escassa mandioca e o raro feijão, embora próspero para o fumo do charuto, do cigarro de palha e do cachimbo. Por ai andei de “badogue” em punho na caça dos passarinhos que a infância não distingue, por desconhecer o compromisso com a fauna. Tanque Velho de Guilherme e Ildefonsa, primos que se casaram para a formação de uma família que se respeita de onde saíram Manoel e Dande, prósperos e simples cidadãos honestos, prenhe de conhecimento, autodidatas que o tempo levou sem piedade antes da hora. Poderia ter sido o bebedouro particular do minifúndio, mas não foi, porque se permitiu a todos a divisão de suas águas para matar a sede dos animais da redondeza, numa repartição pregada por aquele que o homem mau em sua ambição e inveja crucificou. Ainda me lembro do “FIFÓ” e do candeeiro, reclamados por Badinho que não dormia se não estivessem acesos. Lembro do cerco de quarana, único lugar para as necessidades fisiológicas, cujas folhas substituíam o “TicoTico” e o suave “Neve”. Lembro da folha de juá que meu avô usava para escovar os dentes brancos que nunca foram examinados por dentistas, pela forma sadia que se encontravam.
Por ali passaram “Mitoi” o comilão, “Agrário” o peão das cantigas e da peleja de Cego Aderaldo e Zé Pretinho, que sabia de co. Tanque Velho sempre novo para as novas gerações, que não secou como não secam os olhos meus pelas lembranças de um tempo quando o homem ainda era puro e os casais se amavam, homem e mulher, porque se fez o mundo para a perpetuação da espécie. Do corredor com destino ao “Calço” e à casa de “Martide”, da casa de farinha e do beiju quentinho da mandioca ralada pelo cilindro circulando pela força do braço do homem impulsionando a Roldana; do bolo de puba da casa de Silvia casada com o vaqueiro Roque que meu avô abrigou, dando-lhes casa e terras para os seus sustentos. Tanque que se fez tanque pela mão do homem e que lhe retribuiu com a água para se lavar e para se beber. Por ali pousavam os marrecos e os “Espantas Boiadas”, depois de revoadas e cantos de acordar e fazer alegre o povo humilde. Se não fosses tu, com tuas águas calmas, eu não teria aprendido a nadar, inicialmente o nado de boi e depois o de braçada, que me deu condição para alcançar o mar. No cavalo em pelo, sem sela, apostei corridas, ganhando e perdendo algumas, que não tinha importância, porque o que valia era o prazer de sentir na velocidade o vento passando no meu rosto de menino levado pelo prazer de viver a vida sem as complicações da cidade grande, das ambições desmedidas e das disputas desleais a que o adulto se sujeita. Eu era feliz, chupando o azedo umbu, a jabuticaba e a cajá que colhia nas terras não muito férteis, mas satisfatórias da ultima gleba plantada no sertão dos meus antepassados, que não souberam administrar as sesmarias que o império os legou.
Feira de Santana,

Em um dia de saudade, do ano de 2011.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

DA LIBERDADE SEM MEDO À LIBERDADE SEM EXCESSO.

No ano de 1967, em plena ditadura militar, com os novos rumos da música e da cultura em nosso país, com uma influência catequética, absurda, prevendo o processo de aculturação que se deu, comecei a me distanciar da clave de sol, dos bemóis e sustenidos, indo em direção a formação de uma intelectualidade que não se alcança, mas que é tentada. A esta altura eu já havia lido os maiores escritores e filósofos, da Grécia, Roma, Itália, França, Alemanha, União Soviética, Portugal e Espanha, sem contar os brasileiros. Lecionava na Paróquia da Glória, no Largo do Machado, no Rio de Janeiro, tinha ojeriza por americano e inglês, pela forma imperialista de conduzir o mundo, subjugando os mais fracos e despreparados. Buscava uma metodologia de ensino para os meus alunos, vez que eram os mesmos, a maioria, filhos de pais separados, cada um com um problema vivencial maior que o outro. Era uma missão nova que eu experimentava. Neste exato momento de minha vida, encontrei um livro que foi determinante para minha formação como mestre e como aluno que somos a vida toda, sempre aprendendo e nunca sabendo.

• O livro – LIBERDADE SEM MÊDO, de autoria do escritor escocês, Alexandre Neill, que conta a história de SUMMERHILL, uma escola implantada na Inglaterra, fundada por ele, que se transformou na maior experimentação do mundo na outorga de lúcido amor e aprovação à criança. Obra especialmente recomendada a educadores, pais e psicólogos. Ali, ele ensina como que a sua liberdade, que pode ser quase plena, esbarra na liberdade de outrem. Ou seja – você pode entrar na biblioteca, escolher qualquer livro para ler, menos o que eu estou lendo, não podendo também perturbar a minha leitura. Você tem o direito de construir a sua própria formação, mas não pode intervir diretamente na formação alheia, tem que respeitá-la.
Deduzimos que a liberdade é importante para a formação do indivíduo, mas o excesso é pernicioso e por vezes causa estragos irreparáveis.
É o que está ocorrendo em nossa sociedade, no presente momento, quando deparamos com o apoio irrestrito, em decisão plena da nossa mais alta Corte de Justiça do País, permitindo e autorizando “A Caminhada da Maconha” e das demais drogas, por viciados e traficantes, numa afronta ao nosso ordenamento jurídico. É a Apologia ao Crime. A quem interessa esta caminhada? ...; Como explicar que em nome da liberdade de expressão e de manifestação, pode-se ir às ruas para pregar a sublevação dos costumes, dos princípios morais e do direito? Como entender que uma Ministra, possa dizer que fomos cerceados durante 25 anos em nosso direito de expressão e que por conseqüência justifica a permissividade e a libertinagem em lugar da liberdade.
Noel Rosa exorta em sua musicalidade, os princípios do Positivismo de Auguste Comte, preponderante para formação da Repúlblica:

O amor vem por princípio, a ordem por base
O progresso é que deve vir por fim
Desprezastes esta lei de Augusto Comte
E fostes ser feliz longe de mim.

“Teus filhos não são teus filhos. São filhos e filhas da Vida, anelando por si própria. Vem através de ti, mas não de ti, e embora estejam contigo, a ti não pertencem. Podes dar-lhes teu amor, mas não teus pensamentos, pois que eles têm seus pensamentos próprios. Podes abrigar seus corpos, mas não suas almas. Pois que suas almas residem na casa do amanhã, que não podes visitar sequer em sonhos. Podes esforçar-te para te parecer com eles, mas não procures fazê-los semelhantes a ti, pois a vida não recua, e não se retarda no ontem, tu és o arco do qual teus filhos, como flechas vivas, são disparados...”
“Que a tua inclinação, na mão do arqueiro, seja para a alegria”.
(KAHLIL GIBRAN).

É PRECISO DIFERENCIAR LIBERDADE DE LICENCIOSIDADE.

JUSTIÇA: Pobre justiça cega.
POVO: Infeliz o povo sem princípios morais, sem família, sem respeito humano, sem rumo e sem caráter, que abriga os arautos do caos.
É realmente triste caminhar em estradas tão divergentes.

Feira, 13 de julho de 2011.

MILTON BRITTO.

sábado, 18 de junho de 2011

DO LIVRO "CARTAS NÃO REMETIDAS"

Salvador, Colégio Ipiranga, Ladeira do Sodré, 09 de dezembro de 1952.




Estimado Irmão,


Hoje é o dia de seu aniversário e o parabenizo. Lamento não estar com você para comemorarmos esta data tão importante, mesmo não sendo costume de nossa família, contudo poderíamos nos ver e quem sabe tomar um guaraná Antártica com um bom pedaço de bolo. Como vão as garotas aí de nossa cidade? Aqui estou namorando uma garota que estuda na mesma sala de aula que freqüento. A dificuldade é que ela é aluna externa e mesmo morando nas proximidades, na Ladeira da Preguiça, só nos vemos no colégio. E as poesias? Eu me sinto privilegiado, vez que o imóvel onde se encontra o Colégio Ipiranga foi a casa do Poeta Castro Alves, o condoreiro, aquele que voa alto, que é “pequeno mais só fita os Andes”, poeta dos escravos de verve inigualável, que infelizmente morreu com 24 anos de idade deixando vasta obra literária, o que me inspira para escrever as minhas poesias, e da janela do andar superior fico muitas noites ouvindo gravações executadas em radiola de uma casa que fica de frente para o casario, musicas orquestradas com solo de violino que nos transporta para lugares desconhecidos, tenho a impressão que são musicas do grande compositor Tchaikovsky. Estou aprendendo os primeiros acordes do violão com Valdeck Veloso que é também meu professor de jiu jitsu. Quando retornar, nas férias de final de ano, espero podermos cantar nas areias de Itapoã, conquistando belas morenas, ao som de “Coqueiro de Itapoã, Coqueiro/ Areia de Itapoã, areia/ morena de Itapoã, morena/ saudades de Itapoã me deixa...”, dentre tantas canções de Dorival Caymmi, tomando banho de mar, jogando o futebol e dividindo amizades. Soube que você vai para Lustosa estudar em um colégio interno. Será que a opção é boa? Será boa intenção da madrasta ou ela quer nos ver longe de casa? Tomara que não seja ela uma das que teve de enfrentar Branca de Neve. Aproveito a oportunidade para lhe mandar uma poesia que escrevi para a sua apreciação.

JANELA.



Janela!
Altar de amores
E de fantasias...
Vigília breve
De eternais sabores,
Torpor das virgens
E das belas Marias.

Quantas noites,
Eu em ti debruço,
Buscava a brisa
No tardar da aurora...
Ah! Quem me dera
Aquelas negras noites
Que a solidão deslumbra
E a saudade chora.

Rompe a neblina,
À tepidez de beijos,
A dócil Lucia...
E o nosso amor declina.

Tu és abrigo
Na tenaz madruga...
De mil amores
Tu serás divina.


Um grande abraço,

Do mano Milton.


Publicado em 14.05.2011.

domingo, 12 de junho de 2011

HERÓDOTO

"Os arqueiros curvam seus arcos quando querem atirar e os afrouxam quando o alvo é atingido. Se os arcos fossem mantidos sempre retesados, quebrariam e falhariam quando o arqueiro precisasse dele. Assim é com os homens. Se constantemente se dedicarem a um trabalho sério e jamais relaxarem um pouco com um passatempo ou uum esporte, perdem o bom senso e enlouquecem".

A MORTE DE HERÓDOTO

"O melhor homem é o prudente no conselho e ousado nos atos. "
Herodoto

Heródoto viveu de 485 à 420 ac. Considerado o pai da história, escreveu ao seu tempo os fatos importantes, as guerras, os governos, os homens e os feitos dignos de registro. Homem de muita sabedoria entendeu que através da história a raça humana evolui, mormente com os bons exemplos para a formação do caráter, conhecendo os descaminhos para nos livrarmos da maledicência. Esta é a forma pela qual o homem busca o conhecimento. Deveríamos e devemos cultivar este ensinamento, mas não foi o caso, neste Município denominado Feira de Santana, Cidade Princesa. No ano de 1980, conheci de perto o Paço Municipal e presenciei a importância da história com a exposição de fotografias em belas molduras, de Intendentes e Prefeitos que administraram a nossa Cidade, afixados nomes e datas de suas gestões. Salão Nobre, com móveis coloniais, prataria, tapetes e cristais. Decorridos duas décadas, reformaram-se o prédio, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico, misteriosamente, sumiram os quadros com os retratos, as molduras, e todos os demais objetos de valor, o que foi constatado no inicio do ano de 2009. Passaram-se dois anos e a busca continuou, até que um abnegado cidadão pôde encontrar nos porões da ignomínia e da ignorância o que restou deste acervo. As molduras segundo se depreendem de informações, foram leiloadas, após retirarem os retratos que foram desprezados, jogados no lixo do autoritarismo descabido e doentio, alguns rasgados e até cortados com estilete, como se tivesse destruído a história deste município, como se não houvesse passado, estabelecendo um marco, antes de 2000 era o nada. Vândalos, algozes da história e do conhecimento humano assumiram um poder como outrora fora exercido, pelos que destruíram a Biblioteca de Alexandria, os papiros, os livros e as artes, para que não se deixasse rastro do passado, que foi um dia presente projetando o futuro. Sem passado não há presente nem futuro. Que possam entender esta premissa, os verdugos, vândalos, incultos senhores, déspotas, algozes do saber. Que se possa restaurar ainda a nossa história, em nome da dignidade, valor dado a bem poucos. Mataram a História.
Que ressuscitem Heródoto e se recomponha a História.

Feira, 12 de junho de 2011.
Milton Britto.

domingo, 5 de junho de 2011