sábado, 1 de maio de 2010

PASSADO... PRESENTE... FUTURO.








PASSADO:

Meus avós paternos moravam na fazenda Tanque Velho, não recebia conta de água, luz, telefone, Internet, celular, cartão de crédito, carnet de IPTU, INCRA, ITR, não pagava ISS,IR, imposto sindical, OAB, CREMEB, CROBA, CRA,CREA e outros CRs (ceerres), não recebia cobranças com ameaças de inserção no Serasa. SPC ou qualquer outro órgão de restrição ao crédito mesmo quando a conta está quitada. Meu avô tinha um pequeno comércio de carne em Irará-Bahia, gozava de bom conceito, foi eleito vereador e chegou a ser Presidente da Câmara, sem se corromper ativa ou passivamente. Minha avó trabalhava na roça capinando e plantando feijão, mandioca para o fabrico da farinha, do beiju e da tapioca, plantava fumo para consumo próprio e cuidava de outras culturas. Não tinha empregados porque todos que trabalhavam eram seus afilhados, morando na mesma área rural sem despesas e recebiam as contrapartidas sem reclamar, mesmo porque tinham casa, comida e todas as demais necessidades supridas. Com o que recebiam em dinheiro pelo trabalho empreendido nas plantações com o sistema denominado “Contrato de Parceria ou de Meia”, agradeciam ao Divino. Ildefonsa usava a força dos braços para o pilão que transformava em pó o grão do café que cultivava no quintal, e em fubá o milho colhido na pequena roça. A luz usada vinha do sol durante os dias e à noite a lua. Dentro de casa era o candeeiro abastecido com querosene que servia para alumiar seus passos. A água vinha de pequenas lagoas, sendo as “limpas” para beber após coarem com panos bem lavados, armazenadas em potes de barros e moringas, enquanto que as demais, que se dizia para o gasto, vinha de uma média represa denominada Tanque Velho. O fogão era abastecido à lenha retirada na propriedade, a carne era do boi ali abatido para o sustento de todos, cortada em fatias, dependuradas na corda ao sol para secar, armazenadas em potes com farinha para a sua conservação; o feijão era guardado coberto com areia fina peneirada, em tambores, após a colheita. Eram felizes. Meu avô morreu de enfarte com pouco mais de 60 anos pela imensa labuta e a minha avó aos 104 anos de idade, de morte natural, justamente porque não gostava da cidade com a sua “civilização e costumes”, que leva ao mercantilismo desumano e vale mais quem possui mais dinheiro, não importando a origem, geralmente ilícita.

PRESENTE:

– Após quarenta anos de estudo ininterrupto, vinte e sete anos de trabalho, pagando aluguel, luz, água e gás, transporte coletivo, condomínio e outras despesas, consegui construir uma casa (1981) que serve de abrigo para minha família. Aí começa a “via crucis” – pago IPTU, consumo de Água, Luz, Gás, Telefone fixo, celular, Internet, Imposto de Renda, IPVA porque tive a ousadia de comprar um carro para minha locomoção ao trabalho, combustível para o mesmo, Seguro Obrigatório, Seguro total (por exigência da financeira), Licença, Taxa de Iluminação, Taxa bancária porque tenho que manter uma conta corrente na instituição para receber o salário e sou obrigado a acessar a Internet para pedir a segunda via das faturas porque as empresas e os correios não entregam, todos mancomunados para a incidência de juros e multa que se é compelido a pagar, levando-nos ao estressamento total, somando-se o transporte coletivo para transportar as minhas filhas, a mensalidade do colégio porque o ensino público é deficiente, ITR e INCRA de uma pequena propriedade rural que adquiri para tentar descansar nos finais de semana.

Pergunto: Compensa?

FUTURO:

Vou me recolher ao tempo primitivo, ao tempo de minha avó, onde ouvirei o canto dos pássaros se ainda os encontrar; o latido do cão fiel se ainda existir; vou beber a água da fonte se não secou; vou me banhar no córrego se não se privatizou; vou dormir à noite para me descansar e fazer minhas leituras à luz clara do dia e respirar o ar quase puro do campo que os homens estão poluindo, antes que tenha que se pagar; vou andar pelas estradas de terra batida sem pedágio e para a viagem longa o cavalo e a bicicleta antes de enfartar; vou visitar o vizinho para conversar sem intermediários, sem correio e sem telefonia, livre da interferência global que nos escraviza e nos idiotiza; vou ler Schopenhauer (com seu “Aforismos Para a Sabedoria da Vida”), Nietzsche (para entender o Anti-Cristo), Newton (em sua visão matemática), Morus (com a sua Utopia), Sócrates (para conhecer a mim mesmo), Platão (com seus Diálogos e o mito da caverna), Aristóteles (o sábio dos sábios), Aristarco, Anaximandro, Anaxímenes, (para o inicio do pensar e a conceituação do universo), Diógenes (com a sua lanterna em busca do homem honesto), Rousseau, Voltaire, Diderot e D´Alembert (enciclopedistas com os seus conceitos revolucionários); vou ler Darwin para entender o evolucionismo e Einstein para compreender a relatividade do universo visível composto de vinte bilhões de galáxias com duzentas e vinte bilhões de estrelas cada uma delas, e reler a Bíblia para encontrar a divindade criada pelos homens, sem templos, sem dízimos e “sabidórios” a explorarem a boa fé dos incautos. Ou talvez, eu vá à simplicidade dos ignorantes e incultos porque melhor ainda seja não saber para não sofrer a incompreensão e a desilusão dos sábios, se não puder alcançar o Nirvana.


Feira, 17 de abril de 2010.


sábado, 17 de abril de 2010

MANOEL JUSTO DE BRITO


MANOEL JUSTO DE BRITO.

(Minhas origens).

BIOGRAFIA E DADOS HISTÓRICOS.

POR: MILTON PEREIRA DE BRITTO.






A família Brito pelo que se sabe em dados históricos não muito remotos mais um pouco longínquo, tem origem numa antiga família dos Britos, por volta do ano de 1033, da Era Cristã. Nesta época vivia D.Hero de Brito senhor de muitas herdades em Oliveira, Carazedo e Subilhões, todas situadas entre o rio Ave e Portela dos Leitões, muito rica região e onde se encontra o Solar dos Brito. Fundador do Mosteiro de Oliveira, Conselheiro do Rei de Castela e Leão, D. Afonso VI, foi eleito por este, Par do Reino e seu Brasão de Armas foi concedido em 1072.

Sabe-se que, descendentes de D. Hero vieram para o Brasil na época do descobrimento e colonização, eram cinco irmãos, deslocando um para o Rio de Janeiro, um para Minas Gerais, dois ficaram na Bahia e o outro para Sergipe.

No período colonial o Reino de Portugal fez as primeiras doações de terras do Brasil que tinha o nome de Casas e depois Sesmarias, o que aconteceu a partir de 1.615. Na Bahia, na Região onde fica o atual município de Feira de Santana, estiveram nesta ocasião instaladas duas Casas: a da Torre e a Casa da Ponte, sendo que a primeira representada por Garcia D’ Ávila vindo para a Bahia com o primeiro Governador Tomé de Souza que teve como herdeiros Francisco Dias D’ Ávila e Garcia D’ Ávila Pereira. Já a Casa da Ponte pertenceu a Antonio Guedes de Brito filho e Antonio de Brito Correia e Maria Guedes de Brito, descendentes de lusitano, assaz conhecido de todos, Diogo Álvares Correia, o Caramuru.

Comum à época, não seria diferente, geraram vasta prole, espalhada por este continente, além de diluírem as imensidões de terras recebidas do Reino.

Perdidas estas origens mais remotas, viemos encontrar na localidade de Quaresma (atualmente Município de Santanópolis), antigo distrito de Irará-Bahia, o cidadão português conhecido como Pio Brito, tendo como filho Sabino Brito casado com Maria Brito, homem de muitas mulheres com as quais coabitou, gerando cerca de quarenta e cinco filhos, dentre eles Guilherme dos Santos Brito que casou com Ildefonsa Brito, sua prima, filha de uma irmã de Sabino Brito. Guilherme por sua vez teve do seu matrimônio cinco filhos, dos quais sobreviveram o primogênito - Manoel Justo de Brito e o caçula Eutrópio dos Santos Brito.

O nome do biografado, primogênito de Guilherme, tem a sua origem nos seguintes fatos pitorescos: cabalisticamente e até por algumas informações bíblicas o nome de Jesus seria Emanoel, daí por corrupitela o deslocamento para o seu prenome – Manoel, acrescentando –se o nome Justo em conseqüência do Santo do dia do seu nascimento, segundo se encontrava no Almanaque Britol, muito consultado na época, permanecendo como seria lógico o sobrenome de raiz – Brito.

Manoel Justo de Brito, nasceu no dia 19 de Julho de 1906, na Fazenda Tanque Velho, no Quaresma, assistido por parteira. Não tendo possibilidade de freqüentar escolas, cursou até o terceiro livro com o professor Lúcio, o mais respeitado da região, tendo muita facilidade para elaborar contas e cálculos matemáticos.

O seu pai logo nos primeiros anos, voltado para as atividades agrícolas incentivou o seu filho para o trabalho rural dando-lhe uma enxada de 03 libras.

Aos dezoito anos nas suas idas a Irará, tido como um “partido de futuro” por ser o seu pai fazendeiro, armou-lhe uma cilada a Dona da Pensão onde se hospedava, fazendo com que a sua filha desse “o golpe da barriga”, dizendo-se grávida de Manoel, razão suficiente para que Guilherme obrigasse o casamento. Realizado o matrimônio, foi um para cada lado e a donzela não estava grávida. Muito anos depois se realizou “o desquite”, patrocinado pelo advogado Jessé.
Depois de malfadado casamento e até decepcionado com os fatos veio para Feira de Santana-Bahia disposto a negociar com gado.

Empreendido diversas viagens pelos arredores e negócios pecuários, um belo dia ao subir a ladeira do “Minadouro” local onde residiam famílias de classe média, (início da década de 30), cavalgando o seu cavalo, acompanhado do seu fiel perdigueiro “Vampa” encontrou aquela que seria a grande paixão de sua vida – Magdail Pereira da Silva, encontrando óbice para o seu namoro e compromisso matrimonial, por resistência dos pais de sua pretendida, que alegavam ter como motivo o fato do mesmo ser casado e o seu desquite não estar devidamente homologado. Tamanha era a paixão do casal que combinaram uma fuga, que teve o apoio do Cel. Artur de Baixa da Palmeira, que lhe ofereceu o Ford de Bigode e dois jagunços, dizendo: “Vá buscar a moça, traga para a minha casa que eu faço o casamento, pois aqui o Padre faz o que eu quero”.

Desta união, tiveram três filhos – Yolanda, Edson e Milton. A primeira nasceu em Baixa de Palmeira, o segundo em Feira de Santana, na Pensão Brasil, onde fica localizada a Pça. do Nordestino, o terceiro, nasceu na cidade de Cachoeira-Bahia, na Pça. Dr. Milton, que motivou o nome do rebento. Nesta oportunidade Manoel esteve na Farmácia Régis, encontrando um bilheteiro de loteria que insistentemente queria lhe vender o bilhete, conseguindo, permitindo-lhe o grande premio de cinqüenta contos de réis. Com esta fortuna voltou para Feira de Santana-Bahia comprando um sítio no Ponto Central, passou a residir na Rua Marechal Deodoro, próximo a residência de Martiniano Carneiro onde seus filhos fizeram grandes amizades, com os filhos daquele, conhecidos - Sissinho, Tonton, Vilma e Valter Panqueca. Daí mudou-se para a Rua Conselheiro Franco num casarão com um quintal que ia até a Rua da Aurora, travando amizades com as famílias Mascarenhas, Cordeiro e de Abílio Ribeiro.

Teve alguns anos de prosperidade, contudo com a doença da esposa que sofria mal de chagas, vindo a falecer em 1945, experimentou uma decadência financeira decorrente de moratória pública, resultante da 2ª Guerra Mundial, deixando de receber os seus créditos de alguns setores das Forças Armadas, contudo pagou aos seus fornecedores, iniciando nova atividade em sociedade com o seu irmão Eutrópio, fabricando vinhos, licores e vinagres.

Preocupado com a educação dos filhos menores, contraiu novo matrimônio com Hanuvair, com quem teve três filhos – Carlos Augusto, Maria Lúcia e Ana Maria.

Na década de 50, por ser pessoa bastante empreendedora, foi convidado por Osvaldo Torres para compor uma sociedade, representando e distribuindo a cerveja Antártica por toda a região da Bahia com exceção de Salvador. Experimentou nova fase de prosperidade, sendo convidado para compor uma sociedade para a criação do Feira Tênis Clube, depois do Clube de Campo Cajueiro e para integrar a Maçonaria; participou como cotista do empreendimento Saci para a construção do prédio Mandacaru, do qual nada recebeu restando-lhe um título das cotas imprestáveis.

Politicamente participou do PSD e MDB, sendo seguidor do ilustre Dr. Eduardo Fróes da Mota, de quem foi muito amigo. Sabe-se dizer que uma das suas maiores proezas foi quando do casamento de sua filha Yolanda, poder reunir no mesmo espaço os adversários políticos João Marinho Falcão e Eduardo Fróes da Mota, trocando gentilezas e um servindo ao outro, iguarias do serviço de buffet.

Não se sabe de nenhuma inimizade que possa ter cultivado e o seu bom humor era a marca registrada.

Homem de boa-fé foi ludibriado mais uma vez pelo truste e pela ganância das grandes empresas e dos homens, falecendo ao dirigir uma Kombi, transportando mercadorias da Rodoviária Estrela do Norte de Feira para Cachoeira em acidente fatal. Hoje é muito lembrado pelos amigos de seus filhos. Deixou como herança a dignidade, a honestidade, a boa-fé e o respeito ao próximo.

domingo, 11 de abril de 2010

REVIVENDO STANISLAW PONTE PRETA


REVIVENDO STANISLAW



Hoje me deu uma saudade imensa do Rio de Janeiro e resolvi escrever este texto.

Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo de Sérgio Marcus Rangel Porto, também conhecido como Sergio Porto. ATIVIDADE PROFISSIONAL: Jornalista, radialista, televisista (o termo ainda não existe, mas a atividade dizem que sim), teatrólogo ora em recesso, humorista, publicista e bancário,(definição dada pelo próprio). Conheci esta figura insuperável nos idos de 1963 em pleno Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, pouco tempo antes da “gloriosa”, nome usado pelo próprio para definir a ditadura de 1964, época de repressão, momento negro de nossa história que enterrou a intelectualidade e fez crescer o semi-analfabetismo conveniente aos imperialistas. Ele escrevia para o melhor Jornal de então – ULTIMA HORA, de Samuel Wainer, marido de Danuza Leão paixão de Antonio Maria outro jornalista espetacular. Para se ter uma idéia da importância deste Jornal, basta saber quem eram os demais colaboradores: Tristão de Ataíde ou Amoroso Lima, da Academia Brasileira de Letras; Otto Maria Carpeaux, Paulo Francis o que raciocinava em bloco, - todos poliglotas, escritores conceituados. Nesta década eu lia Jornal do Brasil, Correio da Manhã, O Jornal, Ultima Hora, Lê Monde, Figaro, La Nation e o Time publicado em espanhol. Preferi sempre a Ultima Hora pela sua equipe e Stanislaw brilhava com as suas Crônicas e a publicação das “Certinhas do Lalau”, exibindo estonteantes vedetes de deixar água na boca e o corpo tremulo de um prazer frustrado. Lembro-me de Aizita Nascimento (Miss Guanabara), Betty Faria (Atriz), Brigitte Blair, Carmen Verônica, Eloina, Íris Bruzzi, Mara Rúbia (vedetes), Miriam Pérsia, Norma Bengell, Rose Rondelli, Sônia Mamede (Atrizes) e Virgínia Lane (conhecida Vedete do Brasil, que se gaba de ter sido a preferida de Getulio Vargas, com quem teve um caso amoroso). Sergio Porto ou Stanislaw era freqüentador assíduo do Michel e do Lê Rond Point, adorava um bom Uísque e mulheres bonitas. Dizem que “morreu de Coração e Trabalho”, laborando uma média de 15 horas por dia, fazendo o que mais gostava – escrever para jornais, revistas, rádio e televisão, inclusive para o programa de Chico Anísio.

Sua Obra:
Como Stanislaw Ponte Preta:
- Tia Zulmira e Eu - Editora do Autor, 1961- Primo Altamirando e Elas - Editora do Autor, 1962- Rosamundo e os Outros - Editora do Autor, 1963- Garoto Linha Dura - Editora do Autor, 1964- FEBEAPÁ1 (Primeiro Festival de Besteira Que Assola o País), Editora do Autor, 1966- FEBEAPÁ2 (Segundo Festival de Besteira Que Assola o Pais), Editora Sabiá, 1967- Na Terra do Crioulo Doido - FEBEAPÁ3 - A Máquina de Fazer Doido - Editora Sabiá, 1968
Com o nome de Sérgio Porto:
- A Casa Demolida - Editora do Autor/1963 (Reedição ampliada e revista de O Homem ao Lado - Livraria. José Olympio Editores)- As Cariocas - Editora Civilização Brasileira, 1967
Ao rever este Jornalista inconfundível, lembro de você, amigo Zé Coió, com seu humor, genialidade e gosto pelo belo sexo, a exibir o Colírio da Semana, que já está fazendo falta.

Aqui vai uma certinha do Lalau –




Anilza Leoni


Um grande abraço.
Do amigo, Milton Britto.

domingo, 28 de março de 2010

REEDITANDO O INCONCEBÍVEL CASO ISABELLA NARDONI.

Era apenas uma criança inocente com a tenra idade de cinco anos, nascida da conjunção carnal de dois jovens que se enamoraram e se desajustaram. Separados os pais, adotou-se o que há de mais moderno na concepção de guarda de filhos de pais separados: “Guarda Compartilhada”.
A pequena Isabella na sua inocência somente queria viver e brincar, até que a fatalidade a alcançou com a intolerância, a maldade, o ódio e o instinto criminoso urdido por genes degenerados transmitidos a hediondos seres humanos.
Surgiram na mídia nacional os Nardonis e uma Megera chamada Ana Carolina.
Brutalmente o pai de Isabella a agride de forma covarde conjuntamente com a madrasta, que a enforca com as mãos, a sufoca e a imaginando morta, para ocultar o crime – o infanticida, arremessa a pequena do sexto andar do prédio de uma altura de vinte metros, onde moravam, simulando uma situação de homicídio cometido por terceiros. - Frios, covardes, monstros.
A polícia que sempre se mostrou em vários episódios – autoritária, incompetente, violenta, corrupta, de repente se mostra capaz dando-nos uma verdadeira aula de técnica investigatória e pericial, trazendo à público resultados surpreendentes: – a madrasta e o pai de Isabella – Ana Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni espancaram-na até a morte. Crime caracterizado como – homicídio doloso (com intenção de matar) triplamente qualificado – motivo fútil, de modo cruel, com a impossibilidade de defesa do ofendido, - previsto no art. 121, § 2º, incisos I, III e IV, do Código Penal Brasileiro, com outro agravante – contra menor de idade – criança –art. 263 do Estatuto da Criança e do Adolescente, com pena prevista de reclusão de 12 (doze) a 30 (trinta) anos, com aumento de um terço, previsto no § 4º do art. 121 do CPB.

Admitindo-se a denúncia, o processo e o julgamento pelo Tribunal do Júri, com a condenação, teremos que a lei brasileira limita o cumprimento da pena a 20 anos e após decorridos 1/3, com bom comportamento, se livram soltos os criminosos.

Isabella foi condenada à pena máxima - morte por duas personalidades deformadas, “filhinhos de papai”, sendo o monstro maior - filho de um “advogado” Tributarista, que nos parece vinculado à Globo que promove por todos os meios a defesa dos assassinos, numa tentativa de desqualificar a perícia e inventar uma “verdade” segundo as suas mentiras e conveniências. - “Goebbels”.

A imprensa nacional, com exceção da TV Globo, divulga todos os fatos deixando induvidosa a autoria do crime. Entra outro Canal de televisão – Rede TV e sadicamente passa a entrevistar os pais dos criminosos, em dias e horários diferentes, permitindo-lhes a farsa de ali defenderem o indefensável, tentando ludibriar a opinião pública. Dizem – liberdade de imprensa. Formadores de opinião deveriam ter mais respeito e dignidade na condução de divulgação de fatos chocantes. Mas não. Preferem a audiência mesmo subestimando a mínima inteligência humana.

A Polícia é conclusiva com robusta prova: – são os responsáveis pelo assassinato – Ana Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni.

A Revista ISTO É, traz a manchete – ISABELLA 5 ANOS – A história da inacreditável morte que comoveu o País.

A Revista VEJA – Para a Polícia, não há mais dúvida sobre a morte de Isabella: FORAM ELES – e exibem os rostos dos dois monstros.

Na minha experiência de advogado com mais de trinta anos na militância, pude analisar desde o começo – “espancaram a menina inclusive no carro, asfixiaram-na e acreditando que estivesse morta, simularam a situação de que teria deixado Isabella no quarto e alguém entrou no apartamento e a jogou do sexto andar. – E esta foi posteriormente a História inventada por uma mente assassina sustentada por um pai – Antônio Nardoni, que sempre alimentou uma família de parasitas, começando pelo Alexandre. Criminosos também – o Antonio e a irmã de Alexandre – Cristiane – que alteraram a cena do crime com a intenção de ocultar os verdadeiros assassinos de Isabella”.
Jamais assisti a tamanha barbárie. E agora vem a Rede Globo de Televisão promovendo não se sabe a que preço a defesa dos Nardonis, tentando inocentar o casal, com entrevistas fantasiosas, com mercenários profissionais, insistindo em contrariar todas as evidencias que levam a uma só conclusão: – Ana Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni – MATARAM ISABELLA.

Confesso que tenho sofrido uma dor imensa que dilacera todo o meu entendimento sobre o Ser, me deixa impotente e sem esperanças sobre os destinos deste caso criminoso que abalou todo o País.

De um lado – preciso acreditar na Justiça dos homens.

Do outro - se encontra a Rede Globo, que por divergências financeiras e ideológicas com o Grupo Abril, contradita as suas reportagens e tenta convencer a todos que são inocentes dois criminosos hediondos, se contrapondo a argumentos lógicos, por interesses escusos. Já não bastam as aulas diárias de maldades e degradações do ser humano que são dadas através de suas novelas, onde não existe família e princípios morais. O enredo é conhecido – uma pobre coitada e um mundo de gente que articula todo tipo de crime. No final o vilão vai para o manicômio, é preso, foge para uma ilha com milhões ou alguém o mata e procuram para o crescimento da audiência televisiva – “quem matou Odete Rotman?”. “Quem matou Salomão Ayala?”.

Na polícia, por incrível que pareça, ainda há esperança.
No MP –Ministério Público, incansável Instituição que honra a todos nós, a tenacidade e a honradez.
Na Justiça uma eterna interrogação. (?)

Estamos perdidos?

Feira de Santana, 03 de maio de 2008.

Com a palavra agora o Tribunal do Júri instalado em São Paulo e que todos assistem estarrecidos acreditando que ainda poderá existir Justiça. É tempo de reformar o velho Código Penal, estabelecendo novas penalidades incluindo a prisão perpétua e q uiça a pena de morte em nosso país. E ainda tem Juiz indignado com certo tipo de cárcere adotado para animais humanos.
Nova manchete da ISTO É – “O JULGAMENTO DOS NARDONI”.
Como diria o poeta Carlos Drumont de Andrade – “E agora José?”.
Em 25 de março de 2010.

Milton Pereira de Britto – é Advogado, Escritor, Poeta, Membro da AFL e do IHGFS. (Assume total responsabilidade pela matéria).

domingo, 14 de março de 2010

CRONICIDADE

Seu nome era Maria.Não era a mãe de Jesus, nem Madalena, aquela a quem se atribui ser a amante do messias. Era uma pessoa do povo, como tantas outras.Morava num lugar ermo, numa casa de chão batido, no meio do mundo, em terra absolutamente árida, onde em se plantando nada dá. Tinha apenas dois dentes frontais na boca seminua, preparada para o alimento composto de mingau e farinha seca, intercalado, e algumas vezes banana amassada. Feliz da vida, pois recebia uma cesta básica fornecida pelo governo federal, denominada “bolsa família”. Havia um Posto de Saúde há vinte quilômetros de sua localidade, que raramente aparecia um médico ou enfermeira, com visitas programadas para os dias de feira livre na sede do Distrito, em dia de sábado. Os dois dentes que sobraram na boca de Maria eram os únicos que não tinham cárie e por isto preservavam.Sofria de diabete, cálculo renal e pressão alta, além da arritmia que lhe acompanhava. Com tudo isto, era feliz, porque não lhe permitiram raciocinar como gente, ter instrução como civilizada. Era conveniente para os governantes, que se interessam por zumbis, que são mais fáceis de controlar para se manterem no poder “mamando nas tetas da mãe República. Na casa má acabada, terminara de colocar piso de cerâmica de terceira, doação de um candidato a Vereador. Uma antena parabólica ladeava a sua residência, até porque a Companhia de Energia Elétrica que patrocinara a campanha do Governador, ganhou a concorrência para a instalação do Programa “Luz para todos”. Ali focalizavam os canais de televisão com prioridade para a Rede que mantinha um acordo financeiro com o governo, controlada pelo truste estrangeiro que monopoliza a economia mundial, escraviza os alienígenas, tomando as suas riquezas e mantendo governantes segundo os seus interesses. Pois bem! Maria era feliz com os cachorros magros da sua terra inóspita, com os poucos dentes que lhe restaram, que não lhe faziam falta porque não tinha mesmo o que mastigar, ria, contava estórias, relatando que a sua sobrinha foi vítima de um marido alcoólatra que lhe desferiu um soco no olho esquerdo, partindo a sua sobrancelha que sangrava sem parar, sujando-lhe a veste, e, em outra ocasião fugindo do beberrão se escondeu embaixo da cama de uma tia e de lá foi arrastada como um pedaço de carne para ser batida como se amacia o bife que vai ser servido na casa do Barão. Maria contava e ria, achava graça de tudo.Semi-surda voltou Maria para a sua televisão, sentada no seu sofá coberto com um lençol já roto e desbotado. Ali era o seu mundo ao vivo e a cores.



MORAL:

MELHOR SE GOVERNA - O CEGO, QUE NÃO VÊ! - O SURDO, QUE NÃO OUVE! – O MUDO, QUE NÃO FALA.

Feira de Santana, 09 de novembro de 2007. – Em uma manhã de inspiração.


AUTOR – MILTON PEREIRA DE BRITTO.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010


CLERICAL OPUS I

Oh Maria
Concebida com pecado
Vinde a mim
Numa ascensão erótica
Rogai por nossos holocaustos
Amorosos
Bendita seja a hora
Universal
Do nosso beijo
Deixai à mostra
As puras carnes brancas
Que vos contornam
Na afirmação do belo
Iluminai o leito
Com este vosso olhar
Fala-me de tudo
Que vos diz respeito
E encosta junto à mim
A vossa mão bendita
Deixando-me silente
Em meditação
Que seja a vossa ausência
Todo o meu martírio
E os versos que vos lego
A nossa oração
E no momento tremulo
Do vosso prazer
Não me deixeis cair
Em letargia
Livrai-me do mal
De não vos ter
Amem.


Rio de Janeiro, 1968.