sábado, 2 de março de 2019

DITADURA DA MAGISTRATURA





Quando o Poder judiciário se apequena diante de um governo oligárquico, elitista, entreguista e ditatorial, expurgando a Advocacia discriminando-a, ignorando o direito amplo de defesa do povo, tomando como base para as suas decisões as suas convicções pessoais, afastando as provas e a lei;
Quando o Magistrado se sente imperiosamente que ele é a lei e não o seu intérprete e aplicador;
Quando o Gabinete do Magistrado for o seu refúgio inexpugnável e a Serventia o escudo de sua clausura por onde o arbítrio caminha;
Aí é chagado o tempo em que a sociedade, sentindo-se escravizada, vilipendiada em seus direitos e costumes, haverá de se rebelar, e, diante de tanta indignidade, faça nascer a Revolução Popular, tendo como Bandeiras – “Libertas quae sera tamen” e “Vox populi, Vox dei”.   

Brasil, 01/03/2019.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

A PENSÃO DE BONIFÁCIO



                                              
A Pensão de Bonifácio ficava em uma transversal entre a Avenida Sete de Setembro, mais precisamente, nas proximidades do Relógio de São Pedro e a Avenida Joana Angélica, no centro da Cidade Alta, em Salvador Bahia e abrigava viajantes, vendedores e estudantes que iam do interior do Estado para a Capital em busca de uma formação escolar de qualidade, objetivando a preparação para o vestibular e ingresso na Faculdade dos diversos ensinos Superiores.
Nos arredores, além das múltiplas Igrejas Católicas, das trezentas e sessenta e cinco, cantadas por Dorival Caymmi, tinha a Universidade Católica, o Colégio Estadual da Bahia, o Comércio e as diversas ruas que levavam para todos os cantos da Cidade de São Salvador.
Meu irmão Edson, foi para a capital para cumprir a missão de estudante, matriculando-se no Colégio Estadual da Bahia, também chamado – Colégio Central, ficando hospedado na Pensão de Bonifácio.
Eu estudava interno no Colégio Ipiranga, que ficava na Ladeira do Sodré, próximo da Pensão de Bonifácio, indo algumas vezes ao encontro de meu irmão, saboreando a deliciosas sopas e demais refeições que ali serviam, com a simpatia de Bonifácio, que mantinha o seu estabelecimento em harmonia, estritamente familiar.
Em 1957, saído do Colégio Interno, fiz algumas viagens para Salvador e lá ficava eu na Pensão de Bonifácio, o que acontecia também com o meu irmão, que tinha que se alistar no Exército, para cumprir a sua obrigação com a Nação.
Em 1958, meu irmão servia o Exército e eu fui para a Aeronáutica, mas não deixamos de frequentar a Pensão que nos abrigou por algum tempo em um ambiente familiar, de muita camaradagem. Passou a ser o nosso ponto de encontro, nas nossas folgas, do serviço militar.
Dali, partíamos muitas vezes para as nossas serenatas pela Mouraria, Matatu, Brotas, Sodré, Praça Dois de Julho, Graça, Garcia e adjacências, sem esquecer as vezes que cantamos nas proximidades do Colégio das Sacramentinas (internato feminino, dirigido por Freiras).
A década de 50 ficou no passado junto com as nossas lembranças, amores e perdições, com retorno na história que escrevemos.

Feira. 05/02/2019.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

OBRAS DE MILTON BRITTO


AS OBRAS DE MILTON BRITTO

I - LIVROS:

I – a) - POESIAS

1 – O EU SOFRIDO
2 – VERSOS LIVRES
3 – VERSEJAR
4 – O EU DESILUDIDO
5 – O EU SONHADO

I – b) – PROSA

1 – MANÉ QUARESMA
2 – CRONICIDADE
3 – CRÔNICAS, CONTOS E NOVELAS
4 – NOVAS CRÔNICAS E HISTÓRIAS
5 – CARTAS NÃO REMETIDAS
6 – FÁBULAS E ESTÓRIAS
7 – VIDA VIVIDA
8 – O CASAMENTO DE DONA BARATINHA

I – C) - PARTICIPAÇÃO EM REVISTAS E JORNAIS

15 - REVISTAS DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE FEIRA DE SANTANA-BAHIA
9 – REVISTAS DA ACADEMIA FEIRENSE DE LETRAS
JORNAL FEIRA NOITE & DIA (Diversas publicações)
JORNAL – EM FOCO (Diversas publicações)
SITE – VELHOS AMIGOS (Rio de Janeiro)
BLOG – mpbversoeprosa.blogspot. com
FACEBOOK – Diversas publicações
Publicações diversas esparsas, inclusive em outros Estados e Municípios.

II – GRAVAÇÕES

1 – DISCO OMPACTO DUPLO RCA VICTOR
2 – MILTON ONTEM E HOJE
3 – GELIVAR ENTRE AMIGOS
4 – CLÁSSICOS DA MPB
5 – CANTIGA DE QUEM ESTÁ SÓ
6 – QUEM HÁ DE DIZER
7 - BENG’US IN CONSERT
8 – BESAME MUCHO
9 – MILTON E AMIGOS
10 – MILTON BRITO NO PROGRAMA SHOW DA MANHÃ
11 – MILTON AO VIVO NO CLUBE DE CAMPO CAJUEIRO

III - DVD E VÍDEOS

1 – BENG’US
2 – EU NÃO EXISTO SEM VOCÊ
3 – A NOITE DO MEU BEM
4 – EXISTE ALGUEM
5 – UM DOS DOIS

         SÍNTESE DA OBRA EM 2019
-01-11.

LIVROS =           13
REVISTAS =       24 (participações)
GRAVAÇÕES = 11 (1 DISCO “Compacto Duplo” e 10 CDs)
DVD E VÍDEOS = 5

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

FRASES E AXIOMAS



Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos.
Friedrich Nietzsche

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

EU TENHO EM MIM




Eu tenho em mim
A imagem da mulher amada,
A caminhar pelo jardim,
Ainda composta,
Vestida em seu négligé,
Colhendo flores,
Ouvindo os pássaros canoros
Que pulam de galho em galho,
Atrás das borboletas
Múltiplas, coloridas,
Recém-saídas dos casulos,
Na inocência que a natureza lhes dotou,
Como os pirilampos
Que pela madrugada
Brilham, no espaço,
Iluminando o caminho
Por onde vou passar
Em minhas serenatas.

Tenho em mente o seu retorno,
Ainda sonolenta,
De uma noite repetida,
De amor, por onde caminham
Os meus desejos,
Mapeando o seu corpo pálido,
Leitoso, macio,
No entrelaço de nossas coxas
Que se agasalham
Em nosso acasalamento,
Quando nos amamos perdidamente.

Trago no meu corpo
O cheiro inconfundível do teu corpo
E do teu perfume “Promessa”
Que me deixava embevecido,
Quando te cheirava e te beijava,
Nas noites de verão
Que já se foram, mas, que
Viverão em nossas lembranças
De amantes que fomos,
Pelos anos que se foram
E pelos que virão,
No muito pouco que vivemos.

Trago em mim,
Os seus abraços acanhados,
De amante do primeiro beijo,
Quando suas mãos suavam,
Trêmulas, macias, mas,
Com gestos envergonhados
De uma donzela que se fez a pouco,
Noviça para o leito
E para as loucuras do amor.

Trago na lembrança
E levarei comigo
Todas as nossas andanças,
Caminhos e descaminhos,
Que nos fizeram perdidos
Para jamais nos encontrarmos,
Porque assim está traçado,
Como dizem os Turcos e Muçulmanos,
- Maktub!...

15/04/2018.

ILHA DE ITAPARICA II




Em janeiro vou à ilha
Vou à ilha no amanhã, pela manhã
Para andar pela areia antes do sol fervente;
Vou à ilha para ver o mar
E na sua imensidão,
Eu possa ver a insignificância do meu ser,
Porque eu posso querer abraçá-lo,
Mas não consigo
Posso querer alcançá-lo,
 Mas é inacessível.

Vou sentar-me à beira mar
Esperar o anoitecer e contar estrelas,
Como Saint-Exupery,
Sem ouvi-las,
Porque este dom foi dado somente a Olavo Bilac
E eu não tenho a verve de Olavo.

Em janeiro eu vou à ilha
Até porque nenhum homem é uma ilha.
Na palavra e no entendimento
Do Peripateta de Estagira.
Vou à ilha
Para ancorar meus pensamentos
Na imensidão do espaço cósmico,
Sentado à beira do cais
Molhando os pés e poetizando,
Porque sou poeta e não profeta
A profetizar o amanhã,
E o amanhã pode ser o ontem
Que não vivenciei
Por estar envolvido com a sobrevivência
Medíocre do materialismo.

Sim! Amanhã eu vou à ilha!
Lá eu poderei saber das minhas andanças
Matutinas olhando a Bahia de Todos os Santos
E do Senhor do Bonfim.
Lá, vou degustar pingo de ouro,
Fruto gostoso das mangueiras
Que a natureza criou,
Antes que os homens promovam
A sua destruição,
Em suas últimas queimadas.

Em janeiro


Irei à Ilha.

Feira, em um dia de 2018.