domingo, 13 de fevereiro de 2011

REVIVENDO STANISLAU


REVIVENDO STANISLAW


Hoje me deu uma saudade imensa do Rio de Janeiro e resolvi escrever este texto.

Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo de Sérgio Marcus Rangel Porto, também conhecido como Sergio Porto. ATIVIDADE PROFISSIONAL: Jornalista, radialista, televisista (o termo ainda não existe, mas a atividade dizem que sim), teatrólogo ora em recesso, humorista, publicista e bancário,(definição dada pelo próprio). Conheci esta figura insuperável nos idos de 1963 em pleno Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, pouco tempo antes da “gloriosa”, nome usado pelo próprio para definir a ditadura de 1964, época de repressão, momento negro de nossa história que enterrou a intelectualidade e fez crescer o semi-analfabetismo conveniente aos imperialistas. Ele escrevia para o melhor Jornal de então – ULTIMA HORA, de Samuel Wainer, marido de Danuza Leão paixão de Antonio Maria outro jornalista espetacular. Para se ter uma idéia da importância deste Jornal, basta saber quem eram os demais colaboradores: - Tristão de Ataíde ou Amoroso Lima, da Academia Brasileira de Letras; Otto Maria Carpeaux, Paulo Francis o que raciocinava em bloco, - todos poliglotas, escritores conceituados. Nesta década eu lia Jornal do Brasil, Correio da Manhã, O Jornal, Ultima Hora, Lê Monde, Figaro, La Nation e o Time publicado em espanhol. Preferi sempre a Ultima Hora pela sua equipe e Stanislaw brilhava com as suas Crônicas e a publicação das “Certinhas do Lalau”, exibindo estonteantes vedetes de deixar água na boca e o corpo tremulo de um prazer frustrado. Lembro-me de Aizita Nascimento (Miss Guanabara), Betty Faria (Atriz), Brigitte Blair, Carmen Verônica, Eloina, Íris Bruzzi, Mara Rúbia (vedetes), Miriam Pérsia, Norma Bengell, Rose Rondelli, Sônia Mamede (Atrizes) e Virgínia Lane (conhecida Vedete do Brasil, que se gaba de ter sido a preferida de Getulio Vargas, com quem teve um caso amoroso). Sergio Porto ou Stanislaw era freqüentador assíduo do Michel e do Lê Rond Point, adorava um bom Uísque e mulheres bonitas. Dizem que “morreu de Coração e Trabalho”, laborando uma média de 15 horas por dia, fazendo o que mais gostava – escrever para jornais, revistas, rádio e televisão, inclusive para o programa de Chico Anísio.

Sua Obra:
Como Stanislaw Ponte Preta:
- Tia Zulmira e Eu - Editora do Autor, 1961- Primo Altamirando e Elas - Editora do Autor, 1962- Rosamundo e os Outros - Editora do Autor, 1963- Garoto Linha Dura - Editora do Autor, 1964- FEBEAPÁ1 (Primeiro Festival de Besteira Que Assola o País), Editora do Autor, 1966- FEBEAPÁ2 (Segundo Festival de Besteira Que Assola o Pais), Editora Sabiá, 1967- Na Terra do Crioulo Doido - FEBEAPÁ3 - A Máquina de Fazer Doido - Editora Sabiá, 1968
Com o nome de Sérgio Porto:
- A Casa Demolida - Editora do Autor/1963 (Reedição ampliada e revista de O Homem ao Lado - Livraria. José Olympio Editores)- As Cariocas - Editora Civilização Brasileira, 1967
Aqui vai uma certinha do Lalau –



Milton Britto, Feira, outubro de 2010.

sábado, 27 de novembro de 2010

AS MENINAS DO L’ETOILE


Copacabana, território livre da zona sul do Rio de Janeiro, terra de todos os acontecimentos, do normal ao absurdo, onde se encontram mansões, prédios simples e suntuosos, dentre eles o edifício 200 da rua Barata Ribeiro, Galeria Ritz e Galeria Alasca, pontos de muitos segredos. No edifício 200 havia múltiplos moradores, dentre os quais, mulheres lindas vindas de alhures, dispostas a sobreviverem num “mundo cão” com a possibilidade do sucesso nos palcos encantados da arte cênica. Ali, pela noite e pela madrugada se algum homem gritava - “joga a chave meu amor”, corria o risco de ser enterrado vivo por um monte de chaves caídas das janelas. Na galeria Alasca bares e boates se revezavam entre o lanche, o jantar, boas bebidas, numa freqüência mista de homens, mulheres e homossexuais que se amavam ou se buscavam. Na Galeria Ritz, lojas variadas de produtos de consumo se revezavam nas vendas diurnas e à noite o obscuro mundo da noite musicada de curtições e encontros amorosos. Ali, lá no fundo, haviam duas boates denominadas de inferninho com o nome da fantasia – Claudiu’s Bar e L’Etoile, uma ao lado da outra com freqüências variadas entre o romântico e a promiscuidade. Na primeira, homens, mulheres e etc... se amavam, bebiam o bom “Campare”, o bom “Black Label” e ouviam a boa musica interpretada por três Cantores que se revezavam, sob o olhar de tortuosas e desejadas vedetes de corpos esculturais que também e principalmente iam ao L’Etoile. Numa noite de muita bebida e romantismo apaixonado, depara-se Fernando com duas deslumbrantes musas do teatro rebolado de contornos invejáveis, motivo suficiente para a aproximação do galanteador que esperava flutuar nas nuvens de prazer entre uma ou outra. Ao final da noite, ainda pela madrugada, furam todos juntos para um apartamento de amigos, onde se daria conversas e encontros amorosos. Na expectativa, Fernando pensou – “não resta a menor duvida que vou me dar bem!...”. Laura era a mais desejada, de quem gozou de alguns adocicados beijos o nosso galã e de quem esperava retribuição no leito quente e aconchegante de um quarto de apartamento da zona sul. De repente saem as duas lindas mulheres, sobem as escadas do apartamento e desaparecem das vistas dos presentes por algumas horas. Aflito, não vendo a hora do deleite, Fernando sobe as escadas e vai até o close na parte de cima do ap. e não encontra ninguém, ouvindo um som de aflição de quem se ama com gosto e ansiedade. Não se contem e olha pelo buraco da fechadura do quarto e se surpreende com as duas belas vedetes nuas se enrolando numa manhã de estranhos encontros. Frustrado, desce e vai embora. Dias depois, encontra-se com Vivian, uma das apetitosas vedetes e curiosamente pergunta-lhe o porquê da escolha, quando ele se encontrava sedento de prazer, capaz de lhe fazer muitos carinhos felicitando-a. E a resposta vem com simplicidade – sou moça jovem, bela, vivendo do que levo ao palco que é meu corpo bem detalhado e apreciado. Com você corro o risco de engravidar, deformar o meu instrumento de trabalho, enquanto, ao contrário, com a minha companheira vibro e permaneço bela em minha forma de mulher a exibir o que os homens tanto desejam. O L’Etoile é o espaço onde nos encontramos nas noites, após o trabalho, freqüência maior das que pensam como eu ou que se desvirtuam pelo prazer de fazer diferente, disse-lhe Vivian. Desconsolado partiu Fernando, sem entender as opções humanas. Não podendo mudar o circo dos absurdos ou dos desejos, restou-lhe o encontro com as inocentes jovens do subúrbio onde a degeneração ainda se mantinha distante, contraindo matrimônio, seguindo a regra bíblica do crescei e multiplicai-vos.

Rio de Janeiro, janeiro de 1962.


MORAL: “SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO”. (SHAKESPEARE).

sábado, 6 de novembro de 2010

A MORENA DE IPANEMA OU PEREIRA EM COPACABANA.

Pereira foi um nordestino que tinha tudo para dar certo em seus intentos, mas vacilou... se perdeu na grande metrópole, não aproveitou a vida em sua plenitude, o tempo passou e ele não viu, retornando ao seu convívio na pequena cidade do interior de onde saiu para tentar brilhar nos palcos deste imenso Brasil. Era um rapaz afeiçoado, boa pinta, tocava razoavelmente um piano em virtude de aulas recebidas de uma tia que lhe tinha estima. De voz aveludada, estilo de Dick Farney cantava como poucos em qualidade. Chegou ao Rio de Janeiro, capital da República, na década de 50, no momento áureo da vida artística, palco de muitos teatros, cassinos, boates, bares e restaurantes de luxo, com apresentações ao vivo de cantores e músicos. Foi destaque nas melhores casas de show e chamava a atenção de mulheres bonitas solitárias e algumas até mesmo acompanhadas. Tímido, não se dava conta de que a maioria buscava um corpo jovem, vigoroso e belo para os prazeres da carne, este ato que faz vibrar a musculatura, as entranhas e acelera o coração, mas faz um bem incomensurável. Em suas andanças, Pereira teve alguns romances, leves, tímidos, de tal forma que algumas sedentas de carinho duvidavam de sua masculinidade. Foi assim que o nosso personagem conheceu em uma noite de musicalidade inspirada, um casal que se fazia acompanhar de uma linda morena que não lhe tirava os olhos, fazendo com que o garçom lhe entregasse um bilhete dizendo-lhe do desejo de um encontro, uma conversa ainda naquela noite. Percebia-se que o casal também queria estar sozinho e ali se apresentava uma boa oportunidade para escaparem, se livrando da amiga que não iria compartilhar da alcova. Naquele tempo não se falava em sexo grupal ou qualquer outro desvio de conduta moral. Amor se fazia a dois. Em sua introspectividade, Pereira, ao sair da boate se fez acompanhar da bela mulher de corpo escultural, cabelos negros brilhantes, sedosos, olhos castanhos, face arredondada de contornos finos, pele macia como o veludo que dá gosto passear com as mãos, lábios carnudos prontos e apetitosos para o beijo. Era uma deusa perdida na madrugada de uma noite carioca. Saíram de Copacabana indo para um restaurante na Urca, bairro nobre da zona sul. Conversaram, enquanto o casal amigo buscava um apartamento para o seu desfeche amoroso, detendo-se o nordestino em amenidades, marcando um próximo encontro com a sua nova conquista, quem sabe para um corpo à corpo, o que aconteceu no bairro de Ipanema, onde morava a morena. No primeiro dia de folga, numa segunda-feira, quando Pereira não se apresentava na boate, logo cedo, à noite, deu-se o tão esperado encontro que se restringiu aos beijos e abraços no portão da Mansão, residência do pai da apaixonante donzela. Confessou-lhe – “meus pais são separados, sendo que meu pai mora aqui nesta casa com outra mulher e minha mãe mora em Niterói”. – “Quando eu quero dar minhas saídas digo a meu pai que vou para a casa de minha mãe e vice-versa”. O nosso personagem não era um aproveitador. Ao contrário. Não era um português de contos cariocas, mas era um sentimentaloide juramentado, o bastante para se contentar com um namoro de porta de rua. Pouco tempo depois o namoro findou, ficando a saudade e a frustração de não se ter vivido uma inesquecível noite de verão com o calor abençoado de corpos se amando, em segredo e exageradamente. No ano seguinte, o artista que ainda participava de eventos de destaque, foi convidado para uma apresentação em uma casa noturna, quando no intervalo de seu repertório, olhando os convidados deparou-se com aquela que foi o seu deslumbre e frustração, oportunidade em que ficou sabendo que há muito, aquela que parecia ser tímida era uma “mulher de programa”, vendendo o corpo a varejo. Lembrou de uma melodia de seu repertório gravada pelo Rei da Voz – “Chico Viola” – “Fugindo da nostalgia, fui procurar alegria na ilusão dos cabarés; sinto beijo no meu rosto e bebo por meu desgosto, relembrando o que tu és. E no anseio da desgraça bebo mais a minha taça para afogar a visão... quanto mais bebida eu ponho, mas cresce a mulher no sonho, na taça e no coração”. Daí, Pereira saiu, foi à primeira sorveteria, tomou um sorvete de ameixa, um copo com água bem gelada, cantarolando a musica de Noel Rosa – “Seu garçom faço o favor de me trazer depressa...”.

Feira, 05.11.2010.

sábado, 25 de setembro de 2010

UM FIM QUASE SINISTRO


Francisco que virou Orlando que virou Fernando que virou Fernanda que virou Kelly Christina, era um rapaz bonito, paquerado, conquistado e conquistador. Saiu de sua terra natal, lá pelas bandas do nordeste, após se comprometer com bela moça de família abastada, sem, contudo, assumir os atos amorosos praticados, não tendo alternativa senão fugir para não ser castrado ou morto. Foi para o Rio de Janeiro, Capital da Republica de então, centro de múltiplas facetas, onde a alegria convive com a tristeza e a sorte com o infortúnio. Em lá chegando não lhe faltava lindas donzelas da Zona Sul para o seu deleite, fazendo do amor sua verdadeira profissão. Para se manter financeiramente à noite namorava matronas senhoras, funcionárias públicas bem aquinhoadas, proprietárias de belos apartamentos, antigas amantes de parlamentares e ministros do governo, que na decadência física mantiveram-se empregadas com altos vencimentos, pelos prazeres de outrora fornecidos aos decrépitos senhores. Circulando em Copacabana, nosso personagem, conheceu prósperos costureiros e figurinistas, príncipes e imperadores do Municipal em desfiles de carnaval, com suas plumas e paetês, terminando por se envolver em troca de vida fácil, dinheiro e mordomia. Transmudou-se, passou a ser ativo e passivo no sexo, numa identidade múltipla, de tal forma que com o passar dos anos resolveu assumir a sua posição de gay. Para tanto deu início a uma nova atividade financeira para sobreviver promovendo shows artísticos em boates, teatros e circos. O tempo, senhor de tudo, se encarregou do desgaste físico de Kelly, e, em decadência, envolvida com drogas, de bar em bar, de delegacia em delegacia, não tendo mais caminho certo, seguiu rumo à sarjeta. Sujo, alquebrado, foi encontrado por uma alma boa que o levou até uma igreja, apresentando-o ao pároco, homem de muita sapiência, que o conduziu para uma fazenda de recuperação de drogados, dando-lhe a oportunidade de retornar a uma vida normal, conforme o seu estado natural, com responsabilidade, amor verdadeiro ao próximo, capaz de formar a célula social, primordial para uma civilização digna – a família. Kelly que foi Fernanda, que foi Fernando, que foi Orlando, voltou a ser Francisco, arranjou emprego, voltou aos estudos, formou-se em Contabilidade, montou escritório, prosperou, casou-se, teve filhos, esqueceu o passado negro, possui bom apartamento, carro do ano, casa de praia, dedicado aos bons costumes que lhe permitiram aprender.

MORAL: O caminho é uno, os desvios são muitos, cabendo a cada um encontrar o seu destino e um porto seguro para aportar, para não seguir sem rumo até o naufrágio.

domingo, 22 de agosto de 2010


O MOTRIZ E A MARINETE


Na década de 40 para 50, em terras da Princesa do Sertão, para se ir à Bahia, como se dizia naqueles tempos quando se viajava para a capital – cidade de Salvador tinha-se duas opções: o trem denominado “Motriz” e a “Marinete” um tipo de transporte coletivo que nos dias de hoje conhecemos como Ônibus. A Estação Ferroviária era instalada nos fundos da Igreja da Matriz, em galpão amplo, com bilheteria, bancos e um espaço amplo para o trânsito dos viajantes que esperavam a partida para a capital, passando por diversos lugares, a exemplo de Paripe, Piripiri e outros, até o final de linha na Calçada próximo ao Largo de Tanque. Os compartimentos do trem eram bem arrumados, com poltronas duplas e em algumas cabines tinham mesas para o serviço de primeira classe, com almoço, sobremesa e um bom café. Logo na saída ainda nas proximidades de Santana dos Olhos D água, na localidade do Tomba havia uma imensa Caixa D’água para abastecer as caldeiras da locomotiva alimentada à lenha. Após ligeira parada seguia viagem que durava, salvo engano, 3 horas. Tenho ainda lembranças do tempo de criança quando por ali, em companhia de meu pai, viajei, e na espera da partida ficava deslumbrado com o trânsito de pessoas bem vestidas, herdeiros dos costumes europeus de boa civilização. Encantava-me o barulho das máquinas, a marcha e o apito do trem – piuiiiii...., conduzindo viajantes em recreio, em face de negócios a realizar e até mesmo para consultas médicas.
As Marinetes ficavam estacionadas na Praça da Bandeira, uma ao lado da outra a espera dos passageiros, muitas vezes com sua capa de gabardine, além da mala com roupas, até completar a lotação seguindo para a capital em viagem que durava aproximadamente 4 horas em estrada de chão batido, cujo percurso compreendia Lapa (atual Amélia Rodrigues), São Sebastião com parada obrigatória para almoço, café ou lanche (um pão bem quentinho e um copo com café ao leite), dependendo do horário, seguindo até Água Fria, na entrada de Salvador e de lá para o centro eram todos conduzidos por “Carros de Praça” (denominação dada para o que hoje se conhece como Táxi). Em Salvador hospedava-se na Pensão de Bonifácio próxima do Relógio de São Pedro e no Hotel Plaza instalado na Rua Chile, principal artéria de comércio próspero e luxuoso, enquanto o comércio popular ficava na Baixa do Sapateiro, tão cantada nos versos de Ari Barroso. Querendo ia-se para a cidade baixa pelo Elevador Lacerda ou Plano Inclinado, para degustar um excelente acarajé com bastante pimenta, assistindo o jogo de capoeira de mestre Pastinha. No desembarque, necessariamente, na ida ou na volta, cobertos de poeiras vermelhas, os passageiros tinham por obrigação - tomarem um belo banho.

DE TREM OU MARINETE, DESTINO - BAHIA DE TODOS OS SANTOS.

sábado, 17 de julho de 2010

QUEM TEM TELHADO DE VIDRO NÃO JOGA PEDRA EM SEU VIZINHO















Era uma vez um vassalo de origem humilde conhecido como “Leo”, que teve a oportunidade de viver em rica propriedade de nobre senhor poderoso, que lhe deu conforto ministrando-lhe ensinamentos que não foram de todo aproveitados. Pois bem! O vassalo foi crescendo, se desenvolvendo em sua forma física, contudo, o espírito que herdara não era de boa índole e como dizia o filósofo-poeta – “Em árvore plantada em terreno infértil não se espere bom fruto”. Daí, o infeliz personagem passou a construir um castelo de areia com telhado de vidro, inicialmente pequeno, modesto, porém a sua ambição era grande e no decorrer dos anos foi aumentando o seu castelo e a sua pompa, de tal forma que assumiu o porte de nobreza que não possuía vez que não era de sangue real. Naquela época os nobres eram escolhidos pelo povo dentre aqueles que se destacavam pelos seus projetos de governo, muitas vezes não cumpridos, mas era a sina dos menos afortunados. Um dia o vassalo, saindo dos serviços domésticos, foi convidado para pequenos afazeres no palácio, carregando e entregando papéis do reino, percebendo parca remuneração, embora pudesse ter sido aquinhoado com melhor desempenho se fosse boa a sua formação profissional e intelectual, que a inércia não lhe permitiu. Vivendo sob a influencia do rei que se tornou popular, principalmente pelos grandes bailes que promovia na corte para os demais vassalos, o nosso personagem adquiriu pequena popularidade e é lançado escriba do povo, cargo por este outorgado para em seu nome promover-lhe benefício na elaboração de normas jurídicas que aperfeiçoasse o governo, o que não fez ou não soube fazer, tornando-se arauto do apocalipse, espalhando discórdias de tal forma que nenhum rei para ele era bom, tampouco os seus pares que chegou a denominá-los de porcos vivendo em chiqueiro. Embora a população do reino crescesse chegando às raias de um milhão de habitantes, “Leo” se mantinha com efêmero poder, pelo beneplácito de aproximadamente duas mil pessoas, que em troca de alguns favores lhe dava sustentação. Não cuidou do seu castelo de areia que poderia ter sido sólido, forte, se construído com boa estrutura, nem observou que o seu telhado de vidro era frágil e com certeza não suportaria o arremesso de um simples pedregulho. Além dos impropérios lançados contra tudo e contra todos, perdendo apoio do populacho, não satisfeito passou a lançar pedras contra o telhado alheio e em um desses momentos cai uma pedra em seu telhado, estilhaçando os vidros, ficando sem teto e sem guarida, porque o vento fez o resto levando as paredes falsas de areia do seu palácio, simplesmente pelo fato de que - “quem semeia vento colhe tempestade”.
Assim foi e assim será com todos aqueles que acolhidos não acolhem, detratam e subestimam a inteligência alheia.

Em um ponto minúsculo do universo denominado – “Terra”, numa madruga de reflexão, no ano de dois mil e dez, subscreve o filósofo – Notlim Ottirb.