sábado, 17 de julho de 2010

QUEM TEM TELHADO DE VIDRO NÃO JOGA PEDRA EM SEU VIZINHO















Era uma vez um vassalo de origem humilde conhecido como “Leo”, que teve a oportunidade de viver em rica propriedade de nobre senhor poderoso, que lhe deu conforto ministrando-lhe ensinamentos que não foram de todo aproveitados. Pois bem! O vassalo foi crescendo, se desenvolvendo em sua forma física, contudo, o espírito que herdara não era de boa índole e como dizia o filósofo-poeta – “Em árvore plantada em terreno infértil não se espere bom fruto”. Daí, o infeliz personagem passou a construir um castelo de areia com telhado de vidro, inicialmente pequeno, modesto, porém a sua ambição era grande e no decorrer dos anos foi aumentando o seu castelo e a sua pompa, de tal forma que assumiu o porte de nobreza que não possuía vez que não era de sangue real. Naquela época os nobres eram escolhidos pelo povo dentre aqueles que se destacavam pelos seus projetos de governo, muitas vezes não cumpridos, mas era a sina dos menos afortunados. Um dia o vassalo, saindo dos serviços domésticos, foi convidado para pequenos afazeres no palácio, carregando e entregando papéis do reino, percebendo parca remuneração, embora pudesse ter sido aquinhoado com melhor desempenho se fosse boa a sua formação profissional e intelectual, que a inércia não lhe permitiu. Vivendo sob a influencia do rei que se tornou popular, principalmente pelos grandes bailes que promovia na corte para os demais vassalos, o nosso personagem adquiriu pequena popularidade e é lançado escriba do povo, cargo por este outorgado para em seu nome promover-lhe benefício na elaboração de normas jurídicas que aperfeiçoasse o governo, o que não fez ou não soube fazer, tornando-se arauto do apocalipse, espalhando discórdias de tal forma que nenhum rei para ele era bom, tampouco os seus pares que chegou a denominá-los de porcos vivendo em chiqueiro. Embora a população do reino crescesse chegando às raias de um milhão de habitantes, “Leo” se mantinha com efêmero poder, pelo beneplácito de aproximadamente duas mil pessoas, que em troca de alguns favores lhe dava sustentação. Não cuidou do seu castelo de areia que poderia ter sido sólido, forte, se construído com boa estrutura, nem observou que o seu telhado de vidro era frágil e com certeza não suportaria o arremesso de um simples pedregulho. Além dos impropérios lançados contra tudo e contra todos, perdendo apoio do populacho, não satisfeito passou a lançar pedras contra o telhado alheio e em um desses momentos cai uma pedra em seu telhado, estilhaçando os vidros, ficando sem teto e sem guarida, porque o vento fez o resto levando as paredes falsas de areia do seu palácio, simplesmente pelo fato de que - “quem semeia vento colhe tempestade”.
Assim foi e assim será com todos aqueles que acolhidos não acolhem, detratam e subestimam a inteligência alheia.

Em um ponto minúsculo do universo denominado – “Terra”, numa madruga de reflexão, no ano de dois mil e dez, subscreve o filósofo – Notlim Ottirb.

domingo, 20 de junho de 2010

BIOGRAFIA - UMA SÍNTESE

MILTON PEREIRA DE BRITTO.

Nascido na cidade de Cachoeira-Ba., em 12.11.1939, foi para Feira de Santana-Ba. no ano seguinte, daí para Salvador-Ba. em 1952, para estudar no Colégio Ipiranga,(antiga casa de Castro Alves). Em 1958 integra a Força Aérea Brasileira, servindo na Base Aérea de Salvador, indo para Recife após aprovação em exame para o curso de Enfermagem nesta corporação, retornando a Salvador em 1959. Em abril de 1961 segue para o Rio de Janeiro como cantor e violonista, até 1968, permanecendo até 1973, oportunidade em que cursa Filosofia, Francês, Italiano, Espanhol, Piano, Violão e Teoria Musical no Conservatório do Estado da Guanabara – Rj., estuda Latim e Grego. Transfere-se para Belo Horizonte e é aprovado em concurso de vestibular para o curso de Direito pela Universidade Católica de Minas Gerais e pela Faculdade de Direito do Oeste de Minas, iniciando na primeira, transferido para a segunda no mesmo ano por discordância com o Magnífico Reitor, cursando até o 5º ano, retornando para UCMG em 1978, em estágio que é suspenso por interferência da ditadura militar, com policias que reprimem uma manifestação estudantil, e neste mesmo ano freqüenta como ouvinte a UNB em Brasília. É transferido para UCBA – UNIVERSIDADE CATÓLICA DA BAHIA, em Salvador, no início de 1979 e por desentendimento com o Superintendente Acadêmico, matricula-se na (FESPI – FEDERAÇÃO DAS ESCOLAS SUPERIORES DE ILHÉUS E ITABUNA) ATUAL USC – UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ, localizada nos municípios de Ilhéus/Itabuna, concluindo o Bacharelado, após sete anos e quatro meses de estudos jurídicos.
Iniciou a sua atividade profissional como Cantor na década de 60, Gravando na RCA-VICTOR, tendo participado durante anos de programas de televisão, – TVs.- Rio, Tupy, Excelsior, Continental (quatro anos com Sarita Campos), Globo (na inauguração, sendo o Cantor e violonista oficial do Programa Clube das Garotas durante nove meses em que o programa esteve no ar. RÁDIOS - Globo, Carioca, Guanabara, Rio de Janeiro, Tupy, Tamoio, Nacional, Eldorado, Mundial, Vera Cruz, dentre tantas, no Rio de Janeiro, e em boa parte do Brasil, participando de Programas juntamente com os seus contemporâneos e amigos da época - Roberto Carlos, Carlos Imperial, Wilson Simonal, Golden Boy’s (Renato, Roberto, Ronaldo e Valdir), Trio Esperança (Regina, Mário e Evinha) Altemar Dutra, Rildo Hora, Silvio César, Roberto Nascimento, Adilson Ramos, Marisa Gata Mansa, Jamelão, Agnaldo Timoteo, Marcus Valentim, Joelma, Humberto Garin e muitos outros. Fez temporada como cantor e violonista no Rio de Janeiro de 1961 a 1968 – I – Claudius Bar, Bar Michel, Le Rond Point, Boite Plaza, em Copacabana e Restaurante Cabana, em Ipanema, e curtas apresentações - II - Boite Cangaceiro, Scoth Bar, Hotel Excelsior, Boite Bolero; Clubes – Sírio Libanês, Monte Líbano, Tijuca. Grava quatro discos, sendo três 78 RPM e um compacto duplo na RCA VICTOR no Rio de Janeiro. No ano de 1999 lança um CD “MILTON ONTEM E HOJE” na gravadora Sancléia.; outos lançamentos - MILTON – CLÁSSICOS DA MPB, BENGU´S IN CONCERT; duas faixas no CD de sua produção – “GELIVAR ENTRE AMIGOS”; e um CD – “CANTIGA DE QUEM ESTÁ SÓ”, Gravados na IES STUDIO “Atelier Musical”. (Gravações Independentes). Coordena e produz em parceria com Eduardo Kruschewsky, quatro CDs de poesias com fundo musical intitulado – POETAS FEIRENSES I, II e III, e POESIA ENQUANTO É TEMPO, para a Academia Feirense de Letras, da qual faz parte; participa da coletânea da Revista da Academia com duas Crônicas, na Revista nº 1, duas na nº 2, três na nº 3, crônicas e poesias na nº 4 ; escreve várias Biografias e Crônicas, para a Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana. Grava o CD QUEM HÁ DE DIZER, com repertório de Lupicínio Rodrigues. Publica em CD o Livro MANÉ QUARESMA ESTÓRIAS E CRÔNICAS. Em projeto – gravação como Cantor e Violonista em DVD.

INTELECTUAL:

Membro da Academia Feirense de Letras, Cadeira 22, cujo Patrono é Isaias Alves (é eleito para o exercício de 2005/2006 e 2007/2008 Tesoureiro, e 1º Vice-Presidente para o exercício 2009/2010); Membro da Academia de Ciências e Artes; Membro fundador e Consultor Jurídico - do Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana-Ba.; Criador e Consultor Jurídico da Fundação Hospitalar Dr. Jackson do Amauri que Administrou o Hospital da Mulher em Feira de Santana no período de 1999 à 2002; Fundador da Sociedade Civil Organizada – SOCIO. Tem publicado Livros - O EU SOFRIDO; VERSOS LIVRES e participado com algumas poesias na Coletânea DA REVISTA DAS ACADEMIAS DE LETRAS E ARTES DA BAHIA; PROSAS - (NA REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE FEIRA DE SANTANA-BA E NA REVISTA DA ACADEMIA FEIRENSE DE LETRAS) além de matérias jornalísticas em diversos jornais, incluindo Crônicas, destacando-se atualmente no Jornal Noite e Dia, Municípios EM FOCO, tendo participação no Programa Diário da Feira com o quadro “História no Tempo e no Espaço”, em Feira de Santana-Bahia. No prelo - O EU DESILUDIDO (poesias); O CASAMENTO DE DONA BARATINHA (teatro); VIDA VIVIDA (memórias); POESIA COM SONORIDADE – CD; PRÁTICA JURÍDICA; CRONICIDADE.
JURISTA:

No Setor Público exerceu as funções de Procurador Jurídico do Município de Feira de Santana (1981/1983) exonerado injustamente por discriminação político-partidário, com processo de reintegração ou reincorporação pendente (há sete anos); Diretor de Promoções do CIS – Centro das Indústrias do Subaé (1986/1989) tendo exercido em colegiado a Direção Geral; Secretário Especial – Chefe de Gabinete e Diretor Chefe do Serviço Jurídico (PROCURADOR GERAL) do Município de Feira de Santana-Bahia (1989/1992); Auxiliar de Gabinete 1993/94, Assessor Legislativo 1996/ agosto de 97 e Procurador Jurídico da Câmara de Vereadores deste Município (setembro de 1997 à junho de 1998 de direito e até 2000 de fato); Assessor Jurídico da Câmara de Vereadores de Serra Preta-Ba. (1998/2000); Assessor Jurídico do Município de Tanquinho-Ba. (1998/2008); Assessor Jurídico do Município de Ipecaetá (durante 08 meses – no ano de 2006) e do Município de Serra Preta, (2005/2008); Advogado do PMDB por mais de dez anos, atuando na área eleitoral, também do PDT e de outros partidos em diversas campanhas eleitorais; Gerente Administrativo da ADAB – AGÊNCIA ESTADUAL DE DEFESA AGROPECUÁRIA – BAHIA (de setembro de 1999 à maio de 2007). Nomeado Oficial de Gabinete da Ouvidoria da Assembléia Legislativa da Bahia (junho de 2007 à dezembro de 2008), servindo no Gabinete do Deputado Estadual Tarcízio Pimenta, com o objetivo de assessorá-lo juridicamente e planejar a sua campanha para a Prefeitura de Feira de Santana, para o exercício 2009/2012; Assume a Chefia Jurídica da Campanha em 2008, atua em mais de duzentos processos eleitorais, dá assessoria aos candidatos da chapa proporcional com mais de 160 candidatos a vereador com êxito, sendo eleito Prefeito Dr. Tarcízio Pimenta, com excelente resultado para a chapa proporcional, após exaustivo trabalho. Em 01/01/2009 assume o Cargo de Secretário Chefe de Gabinete do Prefeito de Feira de Santana-Bahia.

OUTROS CURSOS, SEMINÁRIOS E CONGRESSOS:

DIREITO CIVIL, PROF. SILVIO RODRIGUES, 1976; DIREITO CIVIL, PROF. WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO, 1976; CURSO DE EXTERNSÃO EM DIREITO AGRÁRIO – FESP, 1979; V SEMANA DO ADMINISTRADOR –UCMG, 1974; ESTUDOS JURÍDICOS DE DIREITO PENAL E PROCESSO PENAL, OAB, 1981; PARTICIPAÇÃO NO GOVERNO LOCAL,ANÁLISE E PERSPECTIVA, 1989; 16º ENCONTRO NACIONAL DE PROCURADORES MUNICIPAIS, -LEIS ORGÂNICAS DOS MUNICÍPIOS, CONSTITUIÇÕES ESTADUAIS E DA REPÚBLICA, EM SÃO PAULO, 1990; 17º ENCONTRO NACIONAL DE PROCURADORES MUNICIPAIS, EM FORTALEZA, 1997; SEMINÁRIO ADVOCACIA E A LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL, 2001; 1º SEMINÁRIO FEIRENSE DE PROCESSO DO TRABALHO, 2001; IIº CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO DO ESTADO, SALVADOR-BA., 2002; SEMINÁRIO DE TRANSCOMUNICAÇÃO, IPP –INSTITUTO DE PESQUISA PSÍQUICAS, 1991; Ee outros.
No Setor Privado exerce a Advocacia desde 1981, incluindo a assessoria a diversas empresas de Feira de Santana, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Ceará, Rio de Janeiro e Bahia, atuando nas áreas Cíveis, Trabalhistas, Públicas e Eleitorais. Foi Advogado de aproximadamente 1.300 mutuários do Conjunto Feira IX, liderando a entrega e a ocupação das casas; Promoveu mais de mil Ações de Usucapião para os moradores da Rua Nova. Tem ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA, na Vila Pedro Carneiro, na Rua Desembargador Filinto Bastos nº 719, na cidade de Feira de Santana-Ba, continua dando consultas, orientando e formulando parecer inclusive para colegas. Aposentado por idade pelo INSS, continua com as suas atividades profissionais.
EMAIL – (brittomilton@ig.com.br). (britto_milton@hotmail.com).

Feira de Santana, Abril de 2010.

PIO NETO - UM SOBREVIVENTE

Pio Neto nasceu na zona rural no início do século XX, filho de pais semi-analfabetos, viveu por algum tempo sem os recursos que a cidade grande oferece, tais como a oportunidade para estudar e freqüentar um ambiente social, profissionalizando-se. Quando menino brincava com as pedrinhas e os gravetos que encontrava simulando uma criação de gado, currais, eqüinos, muares, galinhas, galos, patos e marrecos. Na fazenda onde morava não tinha energia elétrica, água encanada, telefone, e, por conseqüência não tinha rádio ou televisão. As notícias chegavam de boca em boca e a leitura, pouca, era através do almanaque publicado pelo laboratório que fabricava o “Biotônico Fontoura” (fortificante dado às crianças), que contava as histórias de Zeca Tatu, homem abatido, fraco, pelas verminoses, via de regra – lombrigas, e que ao tomar o fortificante abatia onças com as próprias mãos, cortava lenha com machado e carregava nos ombros, transformando-se em figura musculosa, forte, imbatível. Na adolescência Pio fabricava arapucas, alçapões e bodoques (atiradeiras feitas com uma forquilha, tiras de borracha de câmara de ar e um pedaço de couro), arremessando pedras para a caça de aves menores, assadas na brasa ou nas frigideiras, para comer no almoço ou no jantar. Ainda na adolescência trabalhava na roça ajudando na plantação de fumo, feijão, e a mandioca para o fabrico da farinha, do beiju, da puba e da tapioca, atividades de sustento da família, suplementando a atividade do patrono que criava e abatia gado para a venda na cidade. Ao completar vinte e um anos, emancipado, resolveu Pio ir para a cidade grande, cansado da atividade rural que não lhe dava muitas oportunidades para construir uma família. Com poucos recursos financeiros, restou-lhe a idéia de alugar um imóvel na cidade que escolheu, fazendo dali uma Pensão que lhe dava o sustento e o abrigo de forma cômoda para quem quer viver humildemente. Ali conheceu muitas pessoas, inclusive, influentes, que lhe ofertaram um emprego de fiscal do governo. Em um belo dia, a sorte resolveu premiar aquele homem com um bilhete da loteria federal, dando-lhe a ousadia de negociar com gado em grande escala, o que fez durante anos até que em meados do século, sendo fornecedor do governo federal, recebeu o calote motivado pela moratória de pós-guerra de 1945, que não criou, não participou ou foi responsável, mas foi vítima. Teve que começar tudo de novo. Viúvo, com três filhos para criar, buscou na alquimia através de livros que lia com o pouco estudo que tinha, fórmulas de fabrico de vinhos e vinagres, que passou a fazê-los. Criou suas próprias marcas e saiu pela periferia da cidade, distritos e povoados, de diversos municípios vizinhos, até que pôde comprar uma pequena caminhonete para o transporte da mercadoria. Quando retornava de suas viagens, trazia carnes e caças que adquiria nas feiras livres para alimentar a família. Fato inusitado ocorreu quando teve que enfrentar a concorrência desleal de grandes marcas. Pio produzia vinho de jurubeba e conhaque de boa qualidade, mas no mercado, levado pela força da propaganda, a jurubeba preferida era a “Leão do Norte” e o conhaque era o de “Alcatrão de São João da Barra”. Ameaçado pela concorrência, já que os seus produtos eram similares aos de marca, não tendo como competir com a ostentação das multinacionais, com os produtos preteridos, foi obrigado ao artifício, mandando fazer na grande metrópole rótulos, gargantilhas e selos das marcas famosas e, clandestinamente passou a vender o que a clientela exigia por força da propaganda, o que fez pelas circunstancias adversas e pela necessidade de sobreviver, até que lhe permitisse a vida, novas oportunidades, que não teve, vez que não lhe deram estudo e profissão digna. Teve Pio outros momentos que não durou, vez que, ao se estruturar como empresário de bom porte, obrigou-se à excessiva tributação e encargos trabalhistas, que se somou à conivência de um contador desonesto que o levou a falência. Morreu Pio alguns anos depois aos sessenta e quatro anos de idade, deixando prole conturbada, com algumas exceções, e uma mulher egoísta que não soube viver em harmonia com os seus, falecendo na solidão dos que não amam, até porque sempre pregou que “cada um deve viver no seu cantinho”.

sábado, 1 de maio de 2010

PASSADO... PRESENTE... FUTURO.








PASSADO:

Meus avós paternos moravam na fazenda Tanque Velho, não recebia conta de água, luz, telefone, Internet, celular, cartão de crédito, carnet de IPTU, INCRA, ITR, não pagava ISS,IR, imposto sindical, OAB, CREMEB, CROBA, CRA,CREA e outros CRs (ceerres), não recebia cobranças com ameaças de inserção no Serasa. SPC ou qualquer outro órgão de restrição ao crédito mesmo quando a conta está quitada. Meu avô tinha um pequeno comércio de carne em Irará-Bahia, gozava de bom conceito, foi eleito vereador e chegou a ser Presidente da Câmara, sem se corromper ativa ou passivamente. Minha avó trabalhava na roça capinando e plantando feijão, mandioca para o fabrico da farinha, do beiju e da tapioca, plantava fumo para consumo próprio e cuidava de outras culturas. Não tinha empregados porque todos que trabalhavam eram seus afilhados, morando na mesma área rural sem despesas e recebiam as contrapartidas sem reclamar, mesmo porque tinham casa, comida e todas as demais necessidades supridas. Com o que recebiam em dinheiro pelo trabalho empreendido nas plantações com o sistema denominado “Contrato de Parceria ou de Meia”, agradeciam ao Divino. Ildefonsa usava a força dos braços para o pilão que transformava em pó o grão do café que cultivava no quintal, e em fubá o milho colhido na pequena roça. A luz usada vinha do sol durante os dias e à noite a lua. Dentro de casa era o candeeiro abastecido com querosene que servia para alumiar seus passos. A água vinha de pequenas lagoas, sendo as “limpas” para beber após coarem com panos bem lavados, armazenadas em potes de barros e moringas, enquanto que as demais, que se dizia para o gasto, vinha de uma média represa denominada Tanque Velho. O fogão era abastecido à lenha retirada na propriedade, a carne era do boi ali abatido para o sustento de todos, cortada em fatias, dependuradas na corda ao sol para secar, armazenadas em potes com farinha para a sua conservação; o feijão era guardado coberto com areia fina peneirada, em tambores, após a colheita. Eram felizes. Meu avô morreu de enfarte com pouco mais de 60 anos pela imensa labuta e a minha avó aos 104 anos de idade, de morte natural, justamente porque não gostava da cidade com a sua “civilização e costumes”, que leva ao mercantilismo desumano e vale mais quem possui mais dinheiro, não importando a origem, geralmente ilícita.

PRESENTE:

– Após quarenta anos de estudo ininterrupto, vinte e sete anos de trabalho, pagando aluguel, luz, água e gás, transporte coletivo, condomínio e outras despesas, consegui construir uma casa (1981) que serve de abrigo para minha família. Aí começa a “via crucis” – pago IPTU, consumo de Água, Luz, Gás, Telefone fixo, celular, Internet, Imposto de Renda, IPVA porque tive a ousadia de comprar um carro para minha locomoção ao trabalho, combustível para o mesmo, Seguro Obrigatório, Seguro total (por exigência da financeira), Licença, Taxa de Iluminação, Taxa bancária porque tenho que manter uma conta corrente na instituição para receber o salário e sou obrigado a acessar a Internet para pedir a segunda via das faturas porque as empresas e os correios não entregam, todos mancomunados para a incidência de juros e multa que se é compelido a pagar, levando-nos ao estressamento total, somando-se o transporte coletivo para transportar as minhas filhas, a mensalidade do colégio porque o ensino público é deficiente, ITR e INCRA de uma pequena propriedade rural que adquiri para tentar descansar nos finais de semana.

Pergunto: Compensa?

FUTURO:

Vou me recolher ao tempo primitivo, ao tempo de minha avó, onde ouvirei o canto dos pássaros se ainda os encontrar; o latido do cão fiel se ainda existir; vou beber a água da fonte se não secou; vou me banhar no córrego se não se privatizou; vou dormir à noite para me descansar e fazer minhas leituras à luz clara do dia e respirar o ar quase puro do campo que os homens estão poluindo, antes que tenha que se pagar; vou andar pelas estradas de terra batida sem pedágio e para a viagem longa o cavalo e a bicicleta antes de enfartar; vou visitar o vizinho para conversar sem intermediários, sem correio e sem telefonia, livre da interferência global que nos escraviza e nos idiotiza; vou ler Schopenhauer (com seu “Aforismos Para a Sabedoria da Vida”), Nietzsche (para entender o Anti-Cristo), Newton (em sua visão matemática), Morus (com a sua Utopia), Sócrates (para conhecer a mim mesmo), Platão (com seus Diálogos e o mito da caverna), Aristóteles (o sábio dos sábios), Aristarco, Anaximandro, Anaxímenes, (para o inicio do pensar e a conceituação do universo), Diógenes (com a sua lanterna em busca do homem honesto), Rousseau, Voltaire, Diderot e D´Alembert (enciclopedistas com os seus conceitos revolucionários); vou ler Darwin para entender o evolucionismo e Einstein para compreender a relatividade do universo visível composto de vinte bilhões de galáxias com duzentas e vinte bilhões de estrelas cada uma delas, e reler a Bíblia para encontrar a divindade criada pelos homens, sem templos, sem dízimos e “sabidórios” a explorarem a boa fé dos incautos. Ou talvez, eu vá à simplicidade dos ignorantes e incultos porque melhor ainda seja não saber para não sofrer a incompreensão e a desilusão dos sábios, se não puder alcançar o Nirvana.


Feira, 17 de abril de 2010.


sábado, 17 de abril de 2010

MANOEL JUSTO DE BRITO


MANOEL JUSTO DE BRITO.

(Minhas origens).

BIOGRAFIA E DADOS HISTÓRICOS.

POR: MILTON PEREIRA DE BRITTO.






A família Brito pelo que se sabe em dados históricos não muito remotos mais um pouco longínquo, tem origem numa antiga família dos Britos, por volta do ano de 1033, da Era Cristã. Nesta época vivia D.Hero de Brito senhor de muitas herdades em Oliveira, Carazedo e Subilhões, todas situadas entre o rio Ave e Portela dos Leitões, muito rica região e onde se encontra o Solar dos Brito. Fundador do Mosteiro de Oliveira, Conselheiro do Rei de Castela e Leão, D. Afonso VI, foi eleito por este, Par do Reino e seu Brasão de Armas foi concedido em 1072.

Sabe-se que, descendentes de D. Hero vieram para o Brasil na época do descobrimento e colonização, eram cinco irmãos, deslocando um para o Rio de Janeiro, um para Minas Gerais, dois ficaram na Bahia e o outro para Sergipe.

No período colonial o Reino de Portugal fez as primeiras doações de terras do Brasil que tinha o nome de Casas e depois Sesmarias, o que aconteceu a partir de 1.615. Na Bahia, na Região onde fica o atual município de Feira de Santana, estiveram nesta ocasião instaladas duas Casas: a da Torre e a Casa da Ponte, sendo que a primeira representada por Garcia D’ Ávila vindo para a Bahia com o primeiro Governador Tomé de Souza que teve como herdeiros Francisco Dias D’ Ávila e Garcia D’ Ávila Pereira. Já a Casa da Ponte pertenceu a Antonio Guedes de Brito filho e Antonio de Brito Correia e Maria Guedes de Brito, descendentes de lusitano, assaz conhecido de todos, Diogo Álvares Correia, o Caramuru.

Comum à época, não seria diferente, geraram vasta prole, espalhada por este continente, além de diluírem as imensidões de terras recebidas do Reino.

Perdidas estas origens mais remotas, viemos encontrar na localidade de Quaresma (atualmente Município de Santanópolis), antigo distrito de Irará-Bahia, o cidadão português conhecido como Pio Brito, tendo como filho Sabino Brito casado com Maria Brito, homem de muitas mulheres com as quais coabitou, gerando cerca de quarenta e cinco filhos, dentre eles Guilherme dos Santos Brito que casou com Ildefonsa Brito, sua prima, filha de uma irmã de Sabino Brito. Guilherme por sua vez teve do seu matrimônio cinco filhos, dos quais sobreviveram o primogênito - Manoel Justo de Brito e o caçula Eutrópio dos Santos Brito.

O nome do biografado, primogênito de Guilherme, tem a sua origem nos seguintes fatos pitorescos: cabalisticamente e até por algumas informações bíblicas o nome de Jesus seria Emanoel, daí por corrupitela o deslocamento para o seu prenome – Manoel, acrescentando –se o nome Justo em conseqüência do Santo do dia do seu nascimento, segundo se encontrava no Almanaque Britol, muito consultado na época, permanecendo como seria lógico o sobrenome de raiz – Brito.

Manoel Justo de Brito, nasceu no dia 19 de Julho de 1906, na Fazenda Tanque Velho, no Quaresma, assistido por parteira. Não tendo possibilidade de freqüentar escolas, cursou até o terceiro livro com o professor Lúcio, o mais respeitado da região, tendo muita facilidade para elaborar contas e cálculos matemáticos.

O seu pai logo nos primeiros anos, voltado para as atividades agrícolas incentivou o seu filho para o trabalho rural dando-lhe uma enxada de 03 libras.

Aos dezoito anos nas suas idas a Irará, tido como um “partido de futuro” por ser o seu pai fazendeiro, armou-lhe uma cilada a Dona da Pensão onde se hospedava, fazendo com que a sua filha desse “o golpe da barriga”, dizendo-se grávida de Manoel, razão suficiente para que Guilherme obrigasse o casamento. Realizado o matrimônio, foi um para cada lado e a donzela não estava grávida. Muito anos depois se realizou “o desquite”, patrocinado pelo advogado Jessé.
Depois de malfadado casamento e até decepcionado com os fatos veio para Feira de Santana-Bahia disposto a negociar com gado.

Empreendido diversas viagens pelos arredores e negócios pecuários, um belo dia ao subir a ladeira do “Minadouro” local onde residiam famílias de classe média, (início da década de 30), cavalgando o seu cavalo, acompanhado do seu fiel perdigueiro “Vampa” encontrou aquela que seria a grande paixão de sua vida – Magdail Pereira da Silva, encontrando óbice para o seu namoro e compromisso matrimonial, por resistência dos pais de sua pretendida, que alegavam ter como motivo o fato do mesmo ser casado e o seu desquite não estar devidamente homologado. Tamanha era a paixão do casal que combinaram uma fuga, que teve o apoio do Cel. Artur de Baixa da Palmeira, que lhe ofereceu o Ford de Bigode e dois jagunços, dizendo: “Vá buscar a moça, traga para a minha casa que eu faço o casamento, pois aqui o Padre faz o que eu quero”.

Desta união, tiveram três filhos – Yolanda, Edson e Milton. A primeira nasceu em Baixa de Palmeira, o segundo em Feira de Santana, na Pensão Brasil, onde fica localizada a Pça. do Nordestino, o terceiro, nasceu na cidade de Cachoeira-Bahia, na Pça. Dr. Milton, que motivou o nome do rebento. Nesta oportunidade Manoel esteve na Farmácia Régis, encontrando um bilheteiro de loteria que insistentemente queria lhe vender o bilhete, conseguindo, permitindo-lhe o grande premio de cinqüenta contos de réis. Com esta fortuna voltou para Feira de Santana-Bahia comprando um sítio no Ponto Central, passou a residir na Rua Marechal Deodoro, próximo a residência de Martiniano Carneiro onde seus filhos fizeram grandes amizades, com os filhos daquele, conhecidos - Sissinho, Tonton, Vilma e Valter Panqueca. Daí mudou-se para a Rua Conselheiro Franco num casarão com um quintal que ia até a Rua da Aurora, travando amizades com as famílias Mascarenhas, Cordeiro e de Abílio Ribeiro.

Teve alguns anos de prosperidade, contudo com a doença da esposa que sofria mal de chagas, vindo a falecer em 1945, experimentou uma decadência financeira decorrente de moratória pública, resultante da 2ª Guerra Mundial, deixando de receber os seus créditos de alguns setores das Forças Armadas, contudo pagou aos seus fornecedores, iniciando nova atividade em sociedade com o seu irmão Eutrópio, fabricando vinhos, licores e vinagres.

Preocupado com a educação dos filhos menores, contraiu novo matrimônio com Hanuvair, com quem teve três filhos – Carlos Augusto, Maria Lúcia e Ana Maria.

Na década de 50, por ser pessoa bastante empreendedora, foi convidado por Osvaldo Torres para compor uma sociedade, representando e distribuindo a cerveja Antártica por toda a região da Bahia com exceção de Salvador. Experimentou nova fase de prosperidade, sendo convidado para compor uma sociedade para a criação do Feira Tênis Clube, depois do Clube de Campo Cajueiro e para integrar a Maçonaria; participou como cotista do empreendimento Saci para a construção do prédio Mandacaru, do qual nada recebeu restando-lhe um título das cotas imprestáveis.

Politicamente participou do PSD e MDB, sendo seguidor do ilustre Dr. Eduardo Fróes da Mota, de quem foi muito amigo. Sabe-se dizer que uma das suas maiores proezas foi quando do casamento de sua filha Yolanda, poder reunir no mesmo espaço os adversários políticos João Marinho Falcão e Eduardo Fróes da Mota, trocando gentilezas e um servindo ao outro, iguarias do serviço de buffet.

Não se sabe de nenhuma inimizade que possa ter cultivado e o seu bom humor era a marca registrada.

Homem de boa-fé foi ludibriado mais uma vez pelo truste e pela ganância das grandes empresas e dos homens, falecendo ao dirigir uma Kombi, transportando mercadorias da Rodoviária Estrela do Norte de Feira para Cachoeira em acidente fatal. Hoje é muito lembrado pelos amigos de seus filhos. Deixou como herança a dignidade, a honestidade, a boa-fé e o respeito ao próximo.

domingo, 11 de abril de 2010

REVIVENDO STANISLAW PONTE PRETA


REVIVENDO STANISLAW



Hoje me deu uma saudade imensa do Rio de Janeiro e resolvi escrever este texto.

Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo de Sérgio Marcus Rangel Porto, também conhecido como Sergio Porto. ATIVIDADE PROFISSIONAL: Jornalista, radialista, televisista (o termo ainda não existe, mas a atividade dizem que sim), teatrólogo ora em recesso, humorista, publicista e bancário,(definição dada pelo próprio). Conheci esta figura insuperável nos idos de 1963 em pleno Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, pouco tempo antes da “gloriosa”, nome usado pelo próprio para definir a ditadura de 1964, época de repressão, momento negro de nossa história que enterrou a intelectualidade e fez crescer o semi-analfabetismo conveniente aos imperialistas. Ele escrevia para o melhor Jornal de então – ULTIMA HORA, de Samuel Wainer, marido de Danuza Leão paixão de Antonio Maria outro jornalista espetacular. Para se ter uma idéia da importância deste Jornal, basta saber quem eram os demais colaboradores: Tristão de Ataíde ou Amoroso Lima, da Academia Brasileira de Letras; Otto Maria Carpeaux, Paulo Francis o que raciocinava em bloco, - todos poliglotas, escritores conceituados. Nesta década eu lia Jornal do Brasil, Correio da Manhã, O Jornal, Ultima Hora, Lê Monde, Figaro, La Nation e o Time publicado em espanhol. Preferi sempre a Ultima Hora pela sua equipe e Stanislaw brilhava com as suas Crônicas e a publicação das “Certinhas do Lalau”, exibindo estonteantes vedetes de deixar água na boca e o corpo tremulo de um prazer frustrado. Lembro-me de Aizita Nascimento (Miss Guanabara), Betty Faria (Atriz), Brigitte Blair, Carmen Verônica, Eloina, Íris Bruzzi, Mara Rúbia (vedetes), Miriam Pérsia, Norma Bengell, Rose Rondelli, Sônia Mamede (Atrizes) e Virgínia Lane (conhecida Vedete do Brasil, que se gaba de ter sido a preferida de Getulio Vargas, com quem teve um caso amoroso). Sergio Porto ou Stanislaw era freqüentador assíduo do Michel e do Lê Rond Point, adorava um bom Uísque e mulheres bonitas. Dizem que “morreu de Coração e Trabalho”, laborando uma média de 15 horas por dia, fazendo o que mais gostava – escrever para jornais, revistas, rádio e televisão, inclusive para o programa de Chico Anísio.

Sua Obra:
Como Stanislaw Ponte Preta:
- Tia Zulmira e Eu - Editora do Autor, 1961- Primo Altamirando e Elas - Editora do Autor, 1962- Rosamundo e os Outros - Editora do Autor, 1963- Garoto Linha Dura - Editora do Autor, 1964- FEBEAPÁ1 (Primeiro Festival de Besteira Que Assola o País), Editora do Autor, 1966- FEBEAPÁ2 (Segundo Festival de Besteira Que Assola o Pais), Editora Sabiá, 1967- Na Terra do Crioulo Doido - FEBEAPÁ3 - A Máquina de Fazer Doido - Editora Sabiá, 1968
Com o nome de Sérgio Porto:
- A Casa Demolida - Editora do Autor/1963 (Reedição ampliada e revista de O Homem ao Lado - Livraria. José Olympio Editores)- As Cariocas - Editora Civilização Brasileira, 1967
Ao rever este Jornalista inconfundível, lembro de você, amigo Zé Coió, com seu humor, genialidade e gosto pelo belo sexo, a exibir o Colírio da Semana, que já está fazendo falta.

Aqui vai uma certinha do Lalau –




Anilza Leoni


Um grande abraço.
Do amigo, Milton Britto.